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Linha de Frente

Linha de Frente

Nos dias atuais vemos uma explosão de contratações de trabalhadores no segmento de Call Center / Contact Center / Telemarketing.
As oportunidades para primeiro emprego estão quase todas concentradas nesse segmento.
Todas as pessoas precisam ligar para Centrais de atendimento, seja para tirar uma dúvida de uma conta bancária, telefone celular, reclamar de alguma comida, cosmético, tv por assinatura, enfim. São inúmeros os serviços disponíveis por essas centrais que cada vez mais há vagas em aberto.

Para entender o que se passa por trás de tudo isso – o que se passa nos bastidores, com os próprios atendentes – o jornalista Júnior Barreto escreveu um livro reportagem sobre a difícil tarefa de ser um Operador de Telemarketing.

O livro é resultado de alguns anos trabalhando na função e também foi seu tema de Trabalho de Conclusão de Curso de sua graduação em Jornalismo.

No livro pode-se ter uma total visão dos bastidores da função, relatos de pessoas que trabalham / trabalharam com telemarketing e também citações de grandes escritores, sociólogos e psicólogos, ocasionando uma reflexão sobre o tema de trabalho quase escravo.

Júnior Barreto concluiu sua pós graduação em Psico-sociologia e atualmente é mestrando em Ciências Sociais, no qual aprofundará ainda mais o tema em sua dissertação.

Para comprar o livro, acesse:

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-130272477-linha-de-frente-os-bastidores-do-telemarketing-_JM

Por Tamara Bauab Levai

“[...] Palavra tristeza/Aqui na mesa/Para o deleite de vossa alteza [...]”

(Seychelles – À face do tempo)

Familiares reunidos em torno da mesa, com sentimentos híbridos de amor, obrigação, costume, e outros tantos. Pai, mãe, filhas, filhos, noras, cunhado, prima, namorada da prima, neto…

Uma criança pequena, ainda não totalmente civilizada, pergunta inocentemente porque o prato à sua frente tem olhos, boca e está sendo despedaçado pelo avô.

“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo não vêem.” J. Saramago – Ensaio sobre a cegueira.

Vivemos em um estado de dormência moral, que nos torna cegos e apáticos a muitos comportamentos considerados “normais e naturais” por uma sociedade de cegos. Acomodados a repetição dos erros de nossos antepassados – sem questionar a maioria deles – comemoramos o nascimento do filho de um Deus “misericordioso e benevolente”, celebrando a paz e a compaixão; reunidos, em família, ao redor de ossos, músculos e vísceras que ora pertenciam ao corpo de animais de outras espécies.

A mídia que serve a interesses políticos e econômicos de forma inescrupulosa manipula a maioria das pessoas, que responde com um comportamento acrítico, manifestando uma típica doença dos tempos atuais: a cegueira ética condicionada. Incapazes de enxergar a verdade que tentam esconder de nós, vivemos enganados por vontade própria, desviando o olhar daquilo que nos incomoda.

Não parece que seja um comportamento natural, que seres humanos, que se dizem racionais, mais evoluídos, espiritualizados e sensíveis, sejam coniventes com as conseqüências de suas escolhas alimentares, que acarretam o aprisionamento, a tortura, o estupro, a escravidão, o assassinato e o consumo dos corpos de outros seres também capazes de amar, sofrer, sentir medo, angústia, dor, carinho e outras infinidades de sentimentos e sensações.

As propagandas veiculadas pelos meios de comunicação em massa nos mostram, a todo instante, perus, galinhas, porcos e vacas, felizes e ansiosos de contribuírem com o sabor de nossos pratos. Por mais que a indústria da morte tente nos convencer que as vacas e galinhas vivam soltas e felizes, nenhum delas concordaria em ser assassinada para ter seu corpo consumido em uma festa religiosa para evocar a paz entre os homens.

Não há o que comemorar sentindo o cheiro da morte, sendo cúmplices desta onda de assassinato em massa, quando deveríamos estar de luto constante pela infinidade de animais mortos para saciar a fome de violência do homem.

“Quem sabe, esta cegueira não é igual às outras, assim como veio, assim poderá desaparecer. Já viria tarde para os que morreram….” J. Saramago – Ensaio sobre a cegueira.



Tamara Bauab Levai – tamybec@yahoo.com.br
Bacharel em Comunicação Social pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, mestre em Ciências Biológicas – laboratório de Síntese Orgânica IP&D – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento – UNIVAP, especialista em Biologia Celular e Histologia Geral – Departamento de Morfologia da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, autora do livro “Vítimas da Ciência – Limites éticos da experimentação animal” (80 p.).

Fonte:
http://www.institutoninarosa.org.br/defesa-animal/artigos/88-etica/246-familiares-reunidos-em-torno-da-mesa

O ser humano…

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Vítima do ser humano, que usou usou e usou e abandonou esse animal à própria sorte.

Enquanto as pessoas não tiverem educação e continuar sendo ignorantes, esse país será uma eterna merda.

Ele que paga.

Coisas da Política – A gripe dos porcos e a mentira dos homens

Mauro Santayana

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.

Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.

O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.

Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.

As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada “ação social”. Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.

O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.

Fonte:http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/05/01/temadodia/coisas_da_politica_a_gripe_dos_porcos_e_a_mentira_dos_homens.aspSexta, 1º de maio, 0h00

Hello!

Informação aos visitantes:

Estou colaborando com o site www.anda.jor.br – Agência de Notícias e Direitos Animais.

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Acessem!

Beijocas!

A bíblia do caos

“O homem é um ser admirável, criado pelo sopro de forças metafísicas extraordinárias, usualmente conhecidas pelo codinome Deus. De esforço em esforço conseguiu sair da escala puramente animal, galgando os galhos da árvore da ciência, do tacape à baioneta, da arma de fogo rudimentar ao canhão, do canhão à bomba de hidrogênio, dos mísseis intercontinentais à guerra nas estrelas. Para sua felicidade permanente só resta ao homem passar da ciência à consciência, e evitar a volta ao tacape”.

“Dizem que quando o Criador criou o homem, os animais todos em volta não caíram na gargalhada apenas por uma questão de respeito”.

http://www2.uol.com.br/millor/aberto/biografia/index.htm

matanca de animais

matanca de animais

Ah, perante!

Álvaro de Campos

Ah, Perante

Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
Perante esta única realidade terrível – a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser!
- Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
Tudo o que os homens dizem,
Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
Se empequena!
Não, não se empequena… se transforma em outra coisa -
Numa só coisa tremenda e negra e impossível,
Urna coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino
-Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino,
Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
Aquilo que subsiste através de todas as formas,
De todas as vidas, abstratas ou concretas,
Eternas ou contingentes,
Verdadeiras ou falsas!
Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora,
Porque quando se abrangeu tudo não se abrangeu explicar por que é um tudo,
Por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa!

Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor,
E é com minhas idéias que tremo, com a minha consciência de mim,
Com a substância essencial do meu ser abstrato
Que sufoco de incompreensível,
Que me esmago de ultratranscendente,
E deste medo, desta angústia, deste perigo do ultra-ser,
Não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir!

Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
Cárcere de pensar, não há libertação de ti?

Ah, não, nenhuma – nem morte, nem vida, nem Deus!
Nós, irmãos gêmeos do Destino em ambos existirmos,
Nós, irmãos gêmeos dos Deuses todos, de toda a espécie,
Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos, ou sejamos luz, sempre a mesma noite.
Ah, se afronto confiado a vida, a incerteza da sorte,
Sorridente, impensando, a possibilidade quotidiana de todos os males,
Inconsciente o mistério de todas as coisas e de todos os gestos,
Por que não afrontarei sorridente, inconsciente, a Morte?
Ignoro-a? Mas que é que eu não ignoro?
A pena em que pego, a letra que escrevo, o papel em que escrevo,
São mistérios menores que a Morte? Como se tudo é o mesmo mistério?
E eu escrevo, estou escrevendo, por uma necessidade sem nada.
Ah, afronte eu como um bicho a morte que ele não sabe que existe!
Tenho eu a inconsciência profunda de todas as coisas naturais,
Pois, por mais consciência que tenha, tudo é inconsciência,
Salvo o ter criado tudo, e o ter criado tudo ainda é inconsciência,
Porque é preciso existir para se criar tudo,
E existir é ser inconsciente, porque existir é ser possível haver ser,
E ser possível haver ser é maior que todos os Deuses.

À mesa

Augusto dos Anjos

Cedo à sofreguidão do estômago. É a hora
De comer. Coisa hedionda! Corro. E agora,
Antegozando a ensangüentada presa,
Rodeado pelas moscas repugnantes,
Para comer meus próprios semelhantes
Eis-me sentado à mesa!

Como porções de carne morta… Ai! Como
Os que, como eu, têm carne, com este assomo
Que a espécie humana em comer carne tem!…
Como! E pois que a Razão me não reprime,
Possa a terra vingar-se do meu crime
Comendo-me também.

Carne x Saúde

O texto a seguir é muito rico em informações sobre a saúde do ser humano e o consumo de carnes.
Texto extraído do livro:
“As hortaliças da medicina doméstica”.

O homem não é carnívoro como a onça, pois não dispõe como esta, de garras e presas para matar um boi só com os membros dianteiros e a boca; nem é cadaverívoro como o corvo, pois, não tendo como este, glândulas neutralizadoras dos venenos, frequentemente se intoxica comendo carne; nem é onívoro como o porco, pois tem um organismo e um instinto diferente dos do suíno.

Os irracionais que comem carne preferem-na ao natural. Não a falsificam nem a disfarçam para mudar-lhe o gosto e o cheiro.
O ser humano, porém altera e dissimula a carne com temperos, para neutralizar a repugnância que esta produziria à sua vista, ao seu olfato e ao seu sabor.
O homem engana seu verdadeiro instinto com grave prejuízo de sua saúde.

“A natureza dotou o nosso instinto nutritivo de suas zelosas sentinelas que, em seus postos avançados no organismo, têm a missão de admitir ou recusar o alimento.
Vamos ao mercado, nos dirigimos às bancas de frutas, escolhemos as que melhor nos pareçam, e com toda a segurança podemos levá-las à boca, saboreando-as com prazer. Sucederá o mesmo com os postos de carne? Com toda a certeza, não.
Nossa vista e nosso olfato recusarão a presença desses despojos e muitas vezes teremos que tapar o nariz, pois esses cadáveres denunciarão já um avançado estado de decomposição; e, se conseguimos enganar a vista e o olfato, é devido à arte culinária que se encarrega da falsificação de sua primitiva forma e estado”.
Afirma o Professor Doutor José Nigro Basciano.

A carne é tida como alimento fortificante por excelência. Será exato? Não.

Está hoje provado que a carne é menos nutritiva do que a maior parte dos alimentos tirados do reino vegetal, como sejam: as frutas secas (nozes, castanhas, amêndoas), arroz, legumes secos (feijão, favas, lentilhas).

Pode-se mesmo dizer que, de todos os alimentos usuais (com exceção da soja, das frutas frescas, dos legumes frescos e dos tubérculos farináceos, como a batata), a carne é o menos nutritivo.

Um adulto, de peso médio, querendo nutrir-se exclusivamente de carne, terá de ingerir diariamente perto de três quilos e, mesmo assim, não estará bem alimentado.

A carne é tão pouco nutritiva que, para emagrecer um obeso, basta submetê-lo ao regime cárneo o mais absoluto.

Se a carne fosse um alimento preciosissímo, insubstituível pelo seu valor nutritivo excepcional, como geralmente se pensa, a sua supressão acarretaria naturalmente diminuição de peso, com sinais acentuados de fraqueza, debilidade, anemia, etc.

Na prática é o oposto que se observa.

A observação da natureza demonstra que os alimentos que dão, conservam e desenvolvem as forças, ou seja, os verdadeiramente nutritivos são os hidratos de carbono, as hortaliças e as frutas.

Deve-se considerar como um grande erro científico, talvez o maior e mais nefasto do último século, a afirmação de que o regime cárneo constitui uma alimentação fortificante por excelência.

A carne é muito mais excitante do que nutritiva.
Quem faz uso diário da carne, em quantidade não moderada, e a suprimir bruscamente um dia, embora a substitua por alimentos mais nutritivos, experimentará nesse dia uma sensação pronunciada de fraqueza, como se não tivesse se alimentado.
O que provoca essa falsa sensação de fraqueza não é a falta de alimento e sim a supressão do excitante, que, no caso presente, é a carne.
O mesmo fenômeno se observa com outros excitantes, tais como o álcool, o fumo, a morfina, etc.
Além de excitante, a carne é tóxica.
O líquido extraído dos músculos (o suco de carne), injetando na dose de 3 a 5 c.c., por quilo, mata um animal.
Entre os venenos contidos na carne, uns são ácidos pela sua própria toxidez, outros simplesmente porque são ácidos.

Da destruição da proteína da carne, na economia, se originam produtos de toxidez mais ou menos elevada: ácido úrico e quantidade apreciável de ácido sulfúrico e ácido fosfórico, sendo esses dois últimos muito energéticos e até cáusticos se não estivessem extremamente diluídos.

Todas as carnes, mesmo que sejam perfeitamente sãs, se encontram impregnadas de substâncias nocivas, e são mais tóxicas quando provêm de animais doentes ou simplesmente fadigados.
Os venenos da carne se multiplicam rapidamente após a morte do animal.
Quando a carne não é completamente digerida no estômago e intestino delgado, a albumina apodrece no grosso intestino, resultando daí a formação de novos venenos (ácidos graxos voláteis, ptomaínas), a maior parte de grande virulência.

Do intestino, a proteína da carne passa ao sangue: uma parte mínima se fixa nos tecidos e o resto é destruído, deixando como principais resíduos os ácidos úrico, sulfúrico e fosfórico.

A gordura da carne, oxidando-se põe em liberdade igualmente ácidos diversos. Daí uma superprodução de ácidos, que, quando não são eliminados ou neutralizados pelos alimentos alcalinos (hortaliças e frutas), ficam retidas nos órgãos, dando lugar a todas as manifestações do artritismo.

Assim se opera lentamente, mesmo com a carne bem digerida, uma espécie de intoxicação crônica, de que não suspeitamos. Porquanto, os seus progressos são infinitamente lentos, e que nós só percebemos quando o mal é irremediável.
Pascault.

Experiências do Dr. Ignotowsky demonstraram que em todos os animais que não se habituaram lentamente ao regime cárneo, a carne atua como um veneno violento.
Nos coelhos, por exemplo, o efeito da carne é fulminante, mesmo quando ela é fornecida em pequena quantidade, associada à alimentação habitual.
Do segundo dia em diante, a urina que era alcalina, torna-se ácida; os pobres animais emagrecem rapidamente e morrem.

Três gramas de carne – quantidade, que parece insignificante – basta para provocar no coelho efeitos tóxicos, que se traduzem por enterite com diarréia, acabando com matá-lo em seis a sete semanas.

Pode-se, de fato, habituar o coelho à alimentação cárnea, como sucedeu com o homem através das gerações. Misturando-se à alimentação do coelho 30 a 40 centigramas de carne por dia, ele acaba por tolerá-la; os filhos já suportam uma quantidade maior.
Após algumas gerações, os coelhos sucumbem mais ao uso da carne, sendo notável, porém, a sua decadência física.
Sucede com eles o que se observa nas famílias que abusam da carne; tornam-se todos artríticos.

“Os animais carnívoros conseguem transformar em amoníaco e tornar, portanto, inofensiva a carne que eles ingerem em grande quantidade, o que não se dá com a espécie humana”.
Relata o Dr. Gustavo Armbrust.

O homem, diz o Dr. Durville, não tem o poder de transformar a carne em amoníaco; a proteína contida em excesso na carne para ser eliminada, deve ser queimada. Ora, sabemos que as proteínas são maus combustíveis. Ao passo que os hidratos de carbono se queimam integralmente, deixando como resíduos apenas água e gás carbônico. A combustão das proteínas dá lugar aos produtos ácidos extremamente nocivos ao organismo.

O homem não é, aliás, carnívoro por natureza: falta-lhe para isso não só a dentição, mas também as glândulas eliminadoras de que os carnívoros são dotados.

O Dr. Domingos D´Ambrosio diz:
Todas as carnes são substâncias cadavéricas. Portanto, constam apenas de elementos em decomposição putrefata.

Falando das carnes, incluímos nelas também os peixes, pois, igualmente, são substâncias protéicas musculares, com o pejorativo que, quando em putrefação avançada, são mais nocivas do que as carnes de animais terrestres, pela libertação do fósforo, o qual, fora das combinações orgânicas, é muito tóxico.

As carnes até quando são queimadas e utilizadas por completo pelo metabolismo, deixam escórias muito tóxicas.
Quando a combustão e a utilização são parciais, deixam uma quantidade enormemente maior de substâncias danificas.

Além de sua ação putrefativa, pelas ptomaínas e saproínas, perturbadoras deletérias do sistema nervoso, em geral, e do encéfalo em particular, com a abundante produção de ácido úrico, concorrem na provocação da fatal acidose.

Quando os elementos ácidos se abarrotam em elevada quantidade nos sistemas circulatórios, estabelecem nos líquidos circulantes um estado de hiperacidade, que vai classificando com o nome de acidose crônica.

Com a sua persistência, começa por adoentar gradualmente os órgãos de fermentações e de eliminações, que são o sistema gastroentérico, o fígado e os rins.
A acidose, pois, é a causa das alterações e das debilidades orgânicas.
Por sí só ela é a responsável pela quase totalidade das doenças.
Uma vez enfermados, e até somente perturbados estes órgãos, o indivíduo já está nos limites de um campo patológico capaz de funestar mais ou menos intensamente à sua existência.

A acidose, não só é a causa direta de numerosas doenças, como também é o fator mais poderoso de recepção e cultura microbiana.
É também, a maior responsável pelas enfermidades específicas, produzidas por determinados micróbios.

Neste caso, a acidose, assim como todo o cortejo de substâncias estranhas, representa o adubo que fomenta e desenvolve os agentes produtores das tristes flogoses crônicas (sífilis, tuberculose, lepra, etc.) e das agudas, produzidas pelos numerosos cocôs e bacilos mais ou menos virulentos.

Um sangue limpo e com suas valiosas defesas, não permite a permanência nem o desenvolvimento de qualquer micróbio.

Ainda a palavra autorizada de alguns médicos:

O alcoolismo e o abuso da carne são os motivos pelos quais o homem não chega a viver até 140 ou 150 anos, como deveria suceder. – Dr. Henrique Roxo.

A freqüência dos casos de apendicite é devida principalmente à alimentação cárnea. – Dr A Gautier.

O reumatismo, a tuberculose, o câncer, a diabetes, a apendicite e outras enfermidades, são, em grande parte, causadas pelo costume de alimentar-se com cadáveres de animais. – Dr. Chittenden.

A carne é, ao contrário do que se pensa geralmente, um alimento medíocre.
Pensamos ser mais acertado abster-se da carne, para não adquirir desde verdes anos, o hábito de uma alimentação tóxica. – Dr. Alberto Seabra.

O caldo de carne não alimenta; não contém nenhum elemento nutritivo; pelo contrário, é perigoso para a saúde. – Dr. Charles Richete.

A carne não é um alimento que possua os princípios essencialmente nutritivos que à luz das descobertas mais recentes em matéria de nutrição foram estabelecidos como sendo indispensáveis à vida.
Os sais minerais, as vitaminas, os fermentos catalíticos e digestivos primordiais são elementos quase ausentes na carne.

A alimentação à base de carne, ao invés de produzir força, produz enfermidade, isto é, fraqueza.
O fato se explica pela razão de que o organismo humano não foi feito e nem está capacitado para assimilar e conservar os excessos de albumina (substância viscosa esbranquiçada que coagula pela ação do calor e que existe na clara do ovo, no soro do sangue e, em geral, nos líquidos dos organismos animais), proveniente dessa alimentação, os quais são prejudiciais à saúde.
Disso resulta que os produtos de desassimilação (transformação de substâncias em outras) da natureza essencialmente venenosa ficam retidos no organismo, passam ao sangue e o intoxicam. Essa intoxicação, ao tornar-se crônica e hereditária, cria os estados mórbidos que hoje têm os nomes de artritismo, reumatismo, diabetes, escrófula, tuberculose e também o câncer, enfermidade do nosso século.

O hábito de comer carne conduz ao alcoolismo pela sede mórbida que produz; ao tabagismo, por produzir excitação nervosa, na qual, por sua vez, conduz ao hábito de tomar café e ao uso de condimentos picantes para disfarçar o gosto, o cheiro e a vista dos restos cadavéricos apresentados à mesa do carnívoro, que, consciente ou inconscientemente, vive enganado com a idéia de que a carne é um verdadeiro alimento. – Dr. C. A. Obedman.

O que muitos ignoram é que a carne, principalmente a assada, grelhada (famoso churrasco), também produz câncer.
O famoso cancerologista italiano, da Organização Mundial de Saúde, Professor Carlo Cirtori, diretor da Divisão de Anatomia Patológica do Instituto Nacional de Tumores de Milão, anunciou em estudos concluídos em setembro de 1966 que as proteínas da carne grelhada se decompõem e suas substâncias graxas se transformam em hidrocarburetos, ativando e provocando as células cancerígenas.
De um quilo de carne assada em um churrasco – informou – obtém-se 6 gramas de benzo-pireno, quantidade essa que corresponde à produzida por 600 cigarros.

Uma visita aos matadouros

Relato do biólogo Sergio Greif, da Sociedade Vegetariana Brasileira.

“Passei alguns de meus últimos anos no interior de São Paulo, fiscalizando fontes de poluição ambiental: usinas de açúcar e álcool, fábricas de processamento de polímeros, fundições etc. Mas nada me pareceu tão poluente e agressivo quanto os abatedouros de animais. Estas atividades são, é claro, extremamente poluentes, mas pretendo falar sobre este assunto em outra ocasião.
Gostaria de reservar este momento para falar sobre uma outra forma de violência, aquela que presenciei nos matadouros e abatedouros de animais.

Embora o sofrimento do animal que será abatido se inicie já em seu nascimento, é no matadouro que ele encontra o seu fim. Não é um fim agradável, tranqüilo ou sem dor, como muitas pessoas querem acreditar. As pessoas são levadas a crer que os animais que lhes servem de alimento levaram uma vida de prazeres, brincando nos campos com outros animais de fazenda e que em determinado dia estes foram transportados e abatidos de forma indolor. Esta é a imagem que a indústria da carne nos passa, com suas propagandas de animais sorridentes e suas embalagens coloridas que quase não sangram.

As pessoas não acreditam – ou não querem acreditar – que animais de corte tiveram toda uma existência miserável, privados da luz do sol, do ar fresco, de pisar a terra.
O objetivo de uma criação de animais de corte não é, é claro, o bem estar dos animais. O objetivo é lucro, produzir mais carne em menor espaço e no menor tempo possível. Desta maneira Bois, Porcos e Frangos são criados em locais com alta densidade de indivíduos, em espaços mínimos que limitam seus movimentos e o desempenho das atividades mais básicas – características de suas espécies.
Os bovinos ainda são criados de maneira extensiva no Brasil, mas esta realidade tende a se alterar com o aumento na demanda e profissionalização do setor.

Descrever o que acontece em um matadouro não é uma tarefa fácil. Provavelmente ler sobre o que lá se passa também não seja, mas acredito que temos a obrigação de divulgar estas verdades e desfazer os mitos que se formam, de que os animais não sofrem com o abate. Todo aquele que se alimenta de animais tem o dever de conhecer este último e importante passo na vida da comida que tem em seu prato. As descrições que se seguem representam o que pude presenciar do abate de animais. Quando forem citados procedimentos diversos aos quais presenciei, farei menção a isto.

Matadouros de Gado

Os animais são transportados em caminhões de transporte de gado, geralmente contendo 12 animais, que tentam se manter em pé enquanto o veiculo se desloca. Os animais são geralmente trazidos de fazendas próximas ao abatedouro, mas em alguns casos provém de localidades mais distantes, o que significa que esse transporte pode durar várias horas.

O caminhão adentra o matadouro e os animais são descarregados a chutes e pontapés em um terreiro cercado (imagino que eles foram colocados no caminhão também na base do chute). Neste terreiro os animais ficarão à espera por algumas horas, pois os abates quase sempre ocorrem durante a madrugada.

Não pude presenciar a hora em que o abate começa, devido ao horário, mas imagino que os animais são enfileirados no corredor que leva à sala onde serão abatidos. Nas primeiras horas da manhã é evidente o estresse que estão vivendo os que ainda esperam a vez de entrar na sala do matadouro, pois estes presenciaram a morte de todos os animais que foram na frente. Seus olhos aparecem saltados na órbita, bem irrigados de sangue, e seus mugindo são desesperados e frenéticos.

Estes animais ouviram o que aconteceu com os animais que foram à sua frente, sentiram o cheiro de seu sangue e possivelmente viram alguma cena desagradável. É claro que resistem até onde podem para não passar pelo corredor que leva à sala do matadouro. Por este motivo, um funcionário do estabelecimento os força a fazê-lo dando chutes e eletrochoques com uma vara. O animal vivencia um verdadeiro pânico e tenta recuar, mas é empurrado para a frente pelo animal que vem atrás, que também está levando eletrochoques. Ele tenta se jogar para os lados, mas as barras de aço só lhe permitem que avance à frente.

Ao entrar na sala do matadouro, o animal presencia por cerca de um minuto o que está sendo feito com seus companheiros: alguns já pendurados, alguns sendo fatiados em diferentes processos, seu sangue e suas tripas espalhadas pelo chão da sala. O animal, em vão, tenta escapar, mas está completamente cercado por barras de aço. Neste momento o animal sofre o processo que se chama “insensibilização”.
No caso dos matadouros que estive visitando, esta insensibilização é feita com uma pistola pneumática, mas em muitos matadouros a insensibilização ainda é feita a golpes de marreta. A pistola pneumática dispara uma vareta metálica no crânio do animal, perfurando-o até o cérebro. Diz-se que este é um método “humanitário”, pois o animal não sofre dor e permanece desacordado por todo o resto do processo, mas a verdade é que não podemos saber se aquele animal de fato não sentiu dor. Certamente a pistola o torna imóvel, mas o animal não parece desacordado, apenas atordoado e impossibilitado de reagir. Algumas vezes, um mesmo animal precisa ser insensibilizado mais de uma vez, o que mostra que este não é um método “humanitário” nem indolor.

No passo seguinte, o animal é pendurado de cabeça pra baixo em uma corrente, suspenso por uma das patas traseiras.

É possível que neste momento o peso do animal trate de romper alguns de seus ligamentos e destroncar seus membros.

No momento em que o animal é suspenso, percebo que sua cabeça ainda se move.
O funcionário do matadouro diz que são espasmos, contrações involuntárias, que o animal já não pode sentir. Mas seus olhos ainda piscam, a língua ainda se mexe, tentando conter o vômito e puxar para dentro o ar. Este animal não está sentindo dor?

O animal é então sangrado, degolado, estripado e esfolado. O sangue que jorra é recolhido em parte para uns tonéis, mas a maior parte cai em uma canaleta. As fezes e o vômito são recolhidos em outra canaleta. Com enormes facas sua barriga é aberta e as tripas são jogadas no chão. Alguns animais ainda parecem se mexer nesta etapa e a impressão que tenho é que eles podem ver suas tripas no chão. O sangue e as tripas serão encaminhados para o setor de processamento de embutidos (lingüiças, salsichas, etc).

O couro destes animais que servem para a produção de carne não é considerado de boa qualidade, mas mesmo assim ele é retirado para uso menos refinado. Após isso o animal é baixado e são retirados os testículos, as mamas, patas e língua. Estas ‘peças’ são comercializadas como iguarias ou são encaminhados para o setor de ‘graxaria’, de onde sairá o mocotó e a gelatina.

Como os matadouros que visitei possuíam uma grande produção, uma “linha de desmontagem” como diriam alguns, pouca atenção era dada para cada animal e mesmo na etapa de retirada do couro e desmembramento, alguns animais ainda estavam se mexendo. Neste matadouro o couro é retirado quase completamente por uma máquina que parece uma máquina de fazer massas; o funcionário apenas tem que separar o couro em alguns pontos.

Finalmente, ocorre o corte seccional da “peça”. O animal é dividido em duas metades e a carcaça é lavada. Neste momento, dependendo da finalidade, o animal poderá ser retalhado em cortes ou sua carcaça poderá ser levada para o frigorífico. Quando a carne chega à câmara fria, o calor do animal ainda emana dela. As carcaças são penduradas em ganchos enfileirados e apesar do frio, o cheiro nauseante da carne é perfeitamente perceptível. Dali a carne seguirá para os açougues e mercados.

Matadouro de suínos

O abate de suínos é um pouco diferente do abate de bovinos. Alguns dos matadouros que conheci simplesmente não o faziam; outros reservavam um dia da semana para o abate de suínos e apenas um possuía um programa de abate constante de suínos.

Os porcos são criados em sistema de confinamento, diferente do gado bovino no Brasil. Estes animais são criados em baias cobertas e muitas vezes ficam isolados do chão. Recebem ração de engorda e jamais tem a possibilidade de chafurdarem a terra, comer grama, etc. A idéia é que o animal receba alimentos calóricos e que gaste pouca energia movimentando-se. Desta forma o animal ganha peso em menor tempo.

Nos últimos dias, os que antecedem o abate, o animal recebe menos ração e um ou dois dias antes recebe apenas água. Isto se dá para que na hora do corte, haja menos fezes transitando pelo trato digestivo, o que facilita a limpeza da carcaça do animal.

Os suínos chegam em um caminhão de transporte, em engradados empilhados em 4 andares. As fezes dos porcos de cima caem sobre os porcos de baixo e o cheiro do caminhão como um todo é insuportável, mesmo quando se está dirigindo atrás de um destes em uma rodovia, a 120 km/hora. No matadouro, os engradados contendo os animais são descarregados sem grandes cuidados. Os animais são forçados a saírem à base de pontapés ou sendo cutucados por porretes.

No terreiro de espera, os animais ouvem o que se passa com os que já adentraram a sala do matadouro, e se desesperam. Não pude deixar de notar, em uma de minhas visitas a um destes matadouros, que em momento algum os porcos silenciavam. O tempo todo em que os animais aguardavam no terreiro, um funcionário do matadouro tentava “acalmá-los”, batendo-lhes com um porrete. Da mesma maneira, para que entrassem na sala de abate, os animais eram conduzidos com chutes e clavadas.

Na sala de abate o animal recebe um eletrochoque, que lhe causa uma paralisia, mas certamente não a sua morte. O animal é então suspenso por uma das pernas e degolado com uma faca (o sangue é recolhido para um tanque) e suas tripas são retiradas. Em seguida ele é mergulhado em um tanque de água fervente e depois é desmembrado. Devido à velocidade com que este processo ocorre, algumas vezes o animal é mergulhado ainda vivo e consciente na água fervente e chega ainda piscando os olhos na mesa de corte e esfola.

Matadouro de aves

O abate de aves ocorre em estabelecimentos especiais denominados “abatedouros de aves”. Conheci abatedouros grandes, das maiores empresas nacionais e que vendem seus produtos para o mundo inteiro. Por este motivo, o fluxo de atividades nestes estabelecimentos é constante.

Vêem-se filas de caminhões trazendo frangos de diversas granjas para serem abatidos. Os animais são transportados em pequenas gaiolas contendo 5 ou 6 aves. Muitas delas já chegam mortas devido ao estresse do transporte e ao tempo de espera. Presenciar o descarregamento destes animais é uma visão única. As gaiolas são abertas, e os animais são presos pelas patas, de cabeça para baixo, em ganchos presos a uma esteira. Os animais perecem não ter reação nenhuma. Certa vez vi a esteira parar para o almoço dos funcionários, algumas gaiolas já estavam abertas. As aves continuaram ali, mesmo as que saíram das gaiolas apenas se empoleiraram na grade. Não tiveram o impulso de sair. Uma das aves que foi parar embaixo do caminhão ficou lá por mais de uma hora. Não é que estes animais não tivessem amor por sua própria vida, mas sim o fato de que jamais tiveram a oportunidade de exercitar seus músculos. A maioria daqueles animais tinha cerca de 45 dias de vida e foram criados para terem coxas e peitos macios e enormes, não para andarem por aí. Por este motivo, eram incapazes de dar mais do que alguns passos.

Nas esteiras, os animais são levados para a sala onde ocorre o abate. Ali recebem um choque de pequena voltagem, que deveria servir para atordoá-los, mas na verdade, apenas deixa as aves mais agitadas. Pergunto por que não aumentam a voltagem, para assim as aves simplesmente morrerem ou serem menos ao menos atordoadas. O gerente de produção me explica que se eles aumentassem a voltagem o animal de fato morreria, mas isto também endureceria a carne.

Elas seguem então para uma máquina que procede a degola automática e depois tomam um banho escaldante. São então depenadas e estrinchadas. Muitas vezes ainda estão vivos quando chegam a estas ultimas etapas, tendo sobrevivido inclusive à fervura.

Presenciei inclusive animais que em uma ou outra fase do processo se soltam dos ganchos e caem no chão, ficando lá se debatendo. Os funcionários não fazem nada para abreviar seu sofrimento, pois não podem se desligar de suas atividades na esteira. Desta forma, a morte destes animais é ainda mais lenta e dolorosa.

Quem são os responsáveis por estas mortes?

Mesmo uma pessoa sensível, quando exposta a estas cenas durante cinco dias por semana, oito horas por dia, acaba se insensibilizando. Esta é a realidade do funcionário de um matadouro. Se estes são homens truculentos e rudes, é porque seu meio de vida os tornou assim.

Certamente se estas pessoas conservassem sua sensibilidade, não seriam qualificados para seu trabalho.

Mas seu trabalho somente existe porque alguém os paga para fazê-lo. Então o funcionário do matadouro não deve ser visto como o único culpado pela morte destes animais. O proprietário do abatedouro tampouco, porque ele apenas mantém seu estabelecimento, já que alguém compra seus produtos. Os açougues e supermercados a mesma coisa. Apenas quem pode impedir que estas mortes continuem ocorrendo é o consumidor.

O consumidor sim, aquele que se sente desconfortável em visitar um matadouro, que prefere não saber a verdade, se poupar de vislumbrar estas cenas, que prefere esquecer que os pedaços de carne em peças eram um animal com vida poucos dias antes. Este sim é o verdadeiro responsável.

Estamos prontos para nos indignar com a matança de bebês foca no Canadá, com a caça de raposas para fazer casaco de pele ou com o consumo de carne de cachorro na China. Estamos prontos para levantar bandeiras em defesa das baleias, da Amazônia ou doar algum dinheiro para o Greenpeace. E todas estas coisas de fato são importantes, mas estão muito distantes de nossa realidade. É fácil não ter um casaco de pele de raposa ou de foca, é fácil não ser culpado da morte destes animais e é mais fácil ainda condenarmos a pessoa que faz uso destes objetos.

Mas a morte de uma vaca, um suíno, um frango, ou seja lá qual for o animal, não deveria receber consideração diferente apenas porque sua utilização é tradicional segundo nosso ponto de vista. Qualquer pessoa que participe de seu ciclo de exploração é culpado pela morte de um animal, seja ele nativo, exótico, abundante ou esteja em vias de extinção.

O fato de percebermos a criação e morte de animais em matadouros como um fato banal apenas agrava esta situação. Estes animais não viveram existências condizentes com os hábitos de sua espécie e em determinado dia foram abatidos no campo. Eles levaram vidas indescritivelmente sofridas e tiveram um fim doloroso. E se isso não está errado, nada no mundo está.
Não me tornei vegetariano por haver presenciado as cenas que descrevi acima. Eu já o era há mais de 20 anos. Haver visitado alguns matadouros e abatedouros de aves apenas serviu para fortalecer minha sensação de que eu estava no

caminho certo. Saber que não faço parte disso, de certa forma, me confortava. Também me dava a certeza de que eu deveria dizer às pessoas o que vi, e da importância de se conscientizarem a respeito desses fatos.

São tantos deuses, são tantas crenças,

Tantos caminhos, tão sinuosos,

Mas só a arte de ser bondosos

É que nos falta em nosso planeta.

Eu sou a voz dos que não têm voz;

Por mim os mudos hão de falar;

Até o mundo tão surdo ouvir

O grito dos fracos, dos sem lugar.

Das ruas, das gaiolas, dos cercados,

Das selvas e estábulos, os gemidos

Vindos dos meus irmãos revelam o crime

Dos poderosos contra os desvalidos

É o amor a genuína religião,

E a mais sublime lei é o amor;

E o toque do tempo fará morrer

Tudo o que se criar no desamor.

Que se envergonhem as mães mortais

Que jamais pensaram em ensinar

A tristeza que há nos olhos mudos,

A tristeza que não pode falar.

Seja o pardal, homem — rei —que seja

Foram criados por um poder apenas;

O deus do todo, alma viva concedeu

A tudo o que tem pelo e que tem penas

E sou o protetor do meu irmão,

E seu combate, este eu vou travar;

De bicho e ave, as palavras eu direi

Até que o mundo venha a se aprumar.

Sim, somos a voz dos que não têm voz;

Por nós, os mudos hão de falar;

Até o mundo tão surdo ouvir

O grito dos fracos, dos sem lugar.

Obrigado.

Poema de Ella Wheeler Wilcox

Faço minhas as suas palavrasSão tantos deuses, são tantas crenças,

Tantos caminhos, tão sinuosos,

Mas só a arte de ser bondosos

É que nos falta em nosso planeta.

Eu sou a voz dos que não têm voz;

Por mim os mudos hão de falar;

Até o mundo tão surdo ouvir

O grito dos fracos, dos sem lugar.

Das ruas, das gaiolas, dos cercados,

Das selvas e estábulos, os gemidos

Vindos dos meus irmãos revelam o crime

Dos poderosos contra os desvalidos

É o amor a genuína religião,

E a mais sublime lei é o amor;

E o toque do tempo fará morrer

Tudo o que se criar no desamor.

Que se envergonhem as mães mortais

Que jamais pensaram em ensinar

A tristeza que há nos olhos mudos,

A tristeza que não pode falar.

Seja o pardal, homem – rei -que seja

Foram criados por um poder apenas;

O deus do todo, alma viva concedeu

A tudo o que tem pelo e que tem penas

E sou o protetor do meu irmão,

E seu combate, este eu vou travar;

De bicho e ave, as palavras eu direi

Até que o mundo venha a se aprumar.

Sim, somos a voz dos que não têm voz;

Por nós, os mudos hão de falar;

Até o mundo tão surdo ouvir

O grito dos fracos, dos sem lugar.

Abraço milenar

Pode chamar de abraço eterno.
Arqueólogos na Itália descobriram um casal enterrado entre 5.000 e 6.000 anos atrás, se abraçando.

“É um caso extraordinário”, disse Elena Menotti, que liderou a equipe nas escavações perto da cidade de Mantova, norte do país.

“Não foi descoberto um enterro de casal do período Neolítico, muito menos duas pessoas se abraçando — e ambos estão realmente se abraçando”.

Menotti disse acreditar que os dois, quase certamente um homem e uma mulher, embora ainda não tenha sido confirmado, morreram jovens, porque suas arcadas dentárias estavam quase inteiramente intactas e não estavam gastas.

“Devo dizer que quando nós os descobrimos, ficamos muito entusiasmados. Tenho este emprego há 25 anos. Fiz escavações em Pompéia, todos os sítios famosos”, disse ela a Reuters.

“Mas eu nunca fiquei tão comovida assim, porque esta é a descoberta de algo especial”.

Um laboratório tentará determinar a idade do casal à época da morte e há quanto tempo estão enterrados.

Fonte: Uol, G1 e Folha

Comunicação

Retirei do livro: “A versão dos afogados. Novas crônicas da vida pública”
Muito boa.
Comunicação
Luis Fernando Veríssimo
Casais com problema de comunicação têm um antecedente antigo. Adão e Eva, segundo Genesis.
Pode-se imaginar o clima quando Adão acordou e levou dois sustos: estava sem uma costela e com uma mulher. Especula-se que os dois levaram dois dias para se falar. Para começar, não tinham sido formalmente apresentados. E que assunto poderiam ter, naquele primeiro encontro?
- Como foi seu dia?
- Nem me fale. Até a hora da sesta estava tudo normal. Depois eu sofri uma cirurgia e mudei de estado civil e a população da Terra duplicou, tudo em questão de horas.
- E eu? Há horas eu nem existia. Agora estou aqui: mulher feita, nua e falando aramaico.
Minha tese é que Adão e Eva só se falaram no terceiro dia, e assim mesmo porque Adão foi levado por uma necessidade clemente:
- Me coça atrás?
E Eva coçou suas costas, e Adão finalmente compreendeu os desígnios do Senhor ao criar a mulher. Embora nos anos que se seguiram não fossem poucas as vezes em que pensou em dizer a Deus que preferia sua costela de volta.
Quando passaram a ter assunto, Adão e Eva despertaram o ciúme de Deus. Porque tinham uma coisa em comum da qual Deus não compartilhava: a humanidade, suas glórias e suas misérias.
Os banhos de riacho e o medo do escuro, o cafuné e o furúnculo. E Deus providenciou o pecado para ter um motivo nobre para expulsá-los do Paraíso, já que não podia só alegar tagarelice.
E quando a prole de Adão e Eva deu sinais de entendimento, pois falavam a mesma língua e celebravam a mesma humanidade, Deus decretou a destruição de Babel a confusão das línguas. E assim duas vezes usou Deus o Demônio para criar a desarmonia entre os homens. Primeiro na forma de Serpente. Depois na forma de tradutor.
Mas tudo que é humano quer se comunicar. Sem a mulher, Adão arranjaria outro jeito de coçar as costas. Talvez encontrasse até uma maneira de se reproduzir sozinho. Afinal, anos depois, um descendente seu inventou o xerox.
Quando Deus lhe deu a mulher, não lhe deu uma fêmea, uma companheira ou alguém para cuidar das suas camisas. Deu o que ele precisava para progredir, a precondição para o autoconhecimento e a razão, sem falar na Literatura. Um interlocutor.
22/03/1995
Luis Fernando Veríssimo

Texto retirado do site da revista VIDA SIMPLES

Caminhos da liberdade
Como reconhecer o que ainda nos amarra?

E o que é realmente ser livre? Algumas das respostas para essas perguntas fundamentais em nossa vida podem estar por aqui.

Dizem que o diabo andava passeando com um amigo quando viu um homem à sua frente abaixar-se para apanhar algo brilhante que faiscava em seu caminho. O homem pôs aquela estrela luminosa em suas mãos, admirou-a por um bom tempo e a colocou junto ao peito. O amigo do diabo, curiosíssimo, cochichou baixinho no ouvido de Satanás: Nossa!!! O que é que é aquilo!?! Que coisa mais linda e brilhante aquele sujeito pegou do chão! O diabo, experiente, respondeu: Aquele homem acabou de encontrar a liberdade ao colocar a luz da verdade em seu coração… Então o amigo do diabo exclamou: Xiiii, mas isso deve ser um péssimo negócio para você! Como vai poder obscurecer a verdade e aprisionar novamente o homem às suas intenções?!? O diabo arqueou as sobrancelhas, deu um sorriso malicioso e disse: Fácil. É só organizá-la em crenças, sistemas e instituições…

Quem gostava de contar essa historinha foi um dos homens mais livres que a humanidade talvez já tenha conhecido: o escritor e líder espiritual indiano Jiddhu Krishnamurti (1895-1986). Krishnamurti, como tantos outros que encontram o brilho da verdade e se tornam realmente livres, pode nos ajudar a enxergar nossos grilhões e nos ensinar como abandonar o peso de muitas correntes que atrapalham nossa caminhada. Os caminhos são muitos. Com liberdade, você pode escolhê-lhos entre as mais variadas opções.

‘Você terá agora a liberdade de escolher a maneira como quer ler este texto. Se desejar saber qual o significado da metáfora do camelo, do leão e da criança, vá em frente. Se quiser participar de uma reunião no Deux Magots, o café dos existencialistas em Paris, para saber o que Sartre achava da liberdade, pule três blocos de texto. Se desejar ler este artigo de trás pra frente, vá até o fim e leia os blocos de texto na ordem inversa.’
Camelo, leão e criança

Uma metáfora, com suas imagens, é muito mais forte que mil palavras, especialmente quando ela retrata nossa própria condição. Uma das metáforas mais poderosas sobre a condição humana e sua relação com a liberdade é a do camelo, do leão e da criança. Ela foi empregada pelo filósofo alemão Fiedrich Nietzsche no século 19 e até hoje é utilizada para demonstrar as diferentes metamorfoses da consciência e nossa possibilidade de sermos livres. Diz ele que o homem, ao nascer, é como o camelo. É obrigado a comer, assimilar e armazenar, por um bom tempo, grande parte dos dados, histórias e ensinamentos acumulados pela humanidade ao longo de séculos. Essas informações chegam a ele por meio das orientações dos pais, professores e mestres, da convivência com seus iguais ou também por toda a produção cultural existente na sociedade: livros, filmes, arte, teatro, arquitetura, todo tipo de mídia… Ele vai ruminar, ruminar e ruminar essa quantidade enorme de dados até construir seu sistema de valores e crenças que, na maioria das vezes, já está alinhado com valores e crenças organizadas e pré-existentes sejam elas religiões, sejam elas sistemas políticos, filosofias ou doutrinas.

A maior parte da humanidade, diz Nietzsche, vive no estado de camelo. Só assimilando, aceitando, deglutindo. Ou, pior, se estapeando por causa do conteúdo engolido, isto é, por causa de suas crenças, ideologias ou religiões. Os homens-camelos não têm potencial crítico para se afastar da própria crença, analisá-la de forma isenta e descobrir seus pontos falhos ou ângulos distorcidos. Principalmente porque ela está baseada na emoção, não na razão. Por isso, para eles, de alguma forma parece impensável e sacrílego fazer essa avaliação.

Uns poucos entre os camelos chegam ao estado de leão. Normalmente, os grandes felinos se insurgem contra isso tudo que está aí, como se dizia na década de 70. Pode ser por meio da arte, como Picasso, que subverteu os cânones dos critérios artísticos aceitos até sua época (não sem antes dominálos muito bem, por sinal). Pode ser por meio do cinema, como Ingmar Bergman, que trouxe a conflituosa realidade psicológica do ser humano para seus filmes inovadores. Ou pode ser por meio da religião. Francisco de Assis, por exemplo, foi um extraordinário leão de seu tempo.

Leões são geralmente líderes e, por isso, têm enorme influência junto aos camelos. Por isso mesmo, muitas vezes são feitos em pedacinhos por eles ou, então, por outros leões na defesa de seu território. O problema do leão é que, na maioria dos casos, ele ainda está preso ao que ele é contra. Pode dedicar sua vida e até morrer por seu ideal. Como diz o mestre espiritual Osho, que comentou a teoria de Nietzsche no livro ‘Liberdade, a Coragem de Ser Você Mesmo’, a grande maioria da humanidade está empacada no estado do camelo; a minoria está empacada no estágio do leão. A maioria significa as massas; a minoria, a ‘intelligentsia’ (pintores, músicos, cineastas, intelectuais, escritores, uma boa parte dos pensadores…). O leão, continua Osho, evolui das massas e se faz por si mesmo. Ele é basicamente mental e egóico. Já para se formar a criança é preciso uma formidável revolução interior. A criança é a pessoa que passou por uma transformação interna absolutamente radical. Ela tornou-se um outro ser, renasceu. É pós-mental e pós-egóica. O camelo vive no passado, o leão no futuro e criança no aqui-e-agora.

Ela é a única realmente livre.

‘Se você quer saber como se tornar uma criança, leia o próximo parágrafo. Mas, se quer entender como a análise pode ajudá-lo a conhecer mais de perto seu projeto de liberdade, pule dois blocos de texto e vá direto a outro trecho deste artigo. E, para entender o que o surfe, o swing e a liberdade têm em comum, pule o próximo bloco e encontre as idéias de um dos mais famosos pensadores franceses.’
De lagarta a borboleta

Um dos mais precisos retratos da condição humana foi traçado pelo pensador Jiddhu Krishnamurti. Dizia ele que nós, seres humanos, somos os mesmos que éramos há milhares de anos ávidos, invejosos, agressivos, ciumentos, ansiosos e desesperados, com ocasionais lampejos de alegria e afeição. Somos uma estranha mistura de ódio, medo e ternura; somos ao mesmo tempo violência e paz, repetia o mestre em suas palestras. Afirmava que, embora os tempos modernos tivessem trazido mais conforto, segurança e tecnologia, psicologicamente continuávamos os mesmos. E as estruturas sociais também, já que elas são o resultado direto de nossa condição interior. Todas as formas exteriores de mudanças, produzidas pelas guerras, revoluções, reformas, pelas leis e ideologias, falharam completamente, pois não mudaram a natureza básica do homem e, portanto, da sociedade, disse ele em sua crueza cristalina.

Então a pergunta que Krishnamurti faz é: o que podemos fazer para promover em nossa própria essência uma revolução total, uma mutação psicológica radical, para não sermos mais brutais, violentos, competidores, ansiosos, ávidos, invejosos, e para que brote definitivamente a fonte inesgotável do amor e da afeição em nós? Isto é, o que podemos fazer para voltarmos a ser livres como uma criança? Sua resposta para essa pergunta é muito estranha: olhar, observar. Prestar atenção verdadeiramente, realmente, em tudo o que está dentro e fora de nós. Ver as correntes que nos prendem, observar os grilhões a que estamos atados, as mentiras, os sonhos, as fantasias. Um encontro cara a cara com a verdade, cada dia mais profundo. E quando aprendermos a olhar de maneira tão sincera e real, disse Krishnamurti, tudo se esclarecerá. As correntes começarão a se desfazer, a visão estará mais límpida e desimpedida. Isso pode ser doloroso.

A primeira coisa que se torna evidente depois de olhar e observar é que sequer conseguimos seguir o sistema, religião ou ideologia que defendemos com tanto ardor. Você tem suas inclinações, tendências e pressões peculiares, que colidem com o sistema que julga seguir portanto, existe uma contradição básica. Você tem assim uma vida dupla, entre a ideologia do sistema e a realidade de sua vida diária, diz ele. No esforço para se ajustar à ideologia (ou religião, ou doutrina), você recalca a si mesmo, seu ser verdadeiro. Sua essência é massacrada por um milhão de vozes: de sua personalidade, da sociedade, de sua própria consciência fragmentada. No entanto, o que é realmente verdadeiro não é a ideologia, mas aquilo que você é.

Krishnamurti acreditava que, ao se livrar do enorme peso das tradições, religiões e ideologias e do seu próprio passado, o indivíduo ganhava uma carga extraordinária de energia e vitalidade. Criava então condições internas e força suficientes para ser livre. A própria energia disponível tornava-se o combustível da mutação necessária para a transformação.

O que Krishnamurti revela é algo fresco, novo, diferente. Nesse sentido, ele nos propõe sermos como uma criança, uma borboleta que se transformou radicalmente ao abandonar o estágio de larva e lagarta. Essa criança pode viver tranqüilamente no mundo, e não vai querer apenas queimar bandeiras como um leão revoltado. Está no mundo, mas não pertence mais a ele, como disse Cristo em seus Evangelhos. É criativa, leve, solta. E feliz. Nada mais a sufoca. Embora o pensador indiano não acreditasse no potencial transformador das religiões, pode-se dizer que alguém, ao viver o âmago de um ensinamento espiritual, como Buda ou Jesus, também conquista essa mesma liberdade e pureza. Mas será que nós, pobres mortais, também a atingimos?

‘Continue em frente e veja como a alegria e a vibração estão relacionadas a nossa possibilidade de sermos livres. Ou dê um pulo três blocos de texto adiante para conhecer o que mais nos atrela à escravidão, nas belas palavras do poeta indiano Rabindranath Tagore.’
Erva e água clara

Com essa expressão tão viva, que nos faz sair da abstração do mundo das idéias para reencontrá-las na natureza, o pensador francês Gilles Deleuze nos conduz ao mundo vibrante onde está inserida a liberdade. Ser livre, para ele, é seguir a vibração pulsante do nosso coração. Como um surfista atrás daquela onda perfeita, um aplicado músico de jazz que busca o swing, devemos estar atentos ao que nos torna vibrantes, brilhantes e vivos. Cada um tem seu feixe de energias, cada um vibra e ressoa à sua maneira, seja com um pouco de erva e água clara, seja com palavras e pensamentos, seja com uma tarde de verão e um sorvete ou com um ensaio de órgão numa igreja vazia. Não perder de vista o que nos deixa vivos é uma bela placa rumo à liberdade de ser. Porque, quando nos sentimos energéticos e brilhantes por dentro, manifestamos o que é mais real em nós.

Nesse sentido, Deleuze se aproxima muito do próprio significado original do termo liberdade. A palavra ‘prya’, em sânscrito, que significa aquilo que se ama e que dá prazer e alegria, deu origem à palavra ‘free’ (livre), em inglês. ‘Prya’ é muito mais do que se libertar de alguma coisa, como quer o termo latino. ‘Prya’ é, simplesmente, ser feliz!

Mais uma vez, e nessa mesma direção, o mestre Osho nos ajuda. A liberdade tem dois aspectos: a liberdade de e a liberdade para. Ser livre dos pais, da igreja, da empresa, de prisões consentidas não significa muita coisa. É uma liberdade negativa. A pergunta é: ser livre para quê? Ser livre para ser, para criar, para se expressar, isso é o que importa. As pessoas criativas são belas, felizes, plenas, e vivenciam a vida ao máximo, diz ele.

Quando se é livre, sua ação é exatamente a extensão de seu próprio ser. Até atingir a liberdade há escolhas: direita, esquerda, certo, errado, bom, ruim. Depois não, ser e viver passam a ser uma coisa só, diz o surfista quase zen Hélio Aguiar Fernandes do alto dos seus 24 anos. De maneira simples, ele repete o que mestres e sábios já disseram. A verdadeira liberdade é ser você mesmo. Não significa apenas fazer o que se quer ou, pior, ficar indeciso entre escolhas. Se depois de tomada uma decisão a gente ficar preocupado se teve a atitude certa, se era melhor de um outro jeito, ou se nos esvaímos em culpas, não se é livre. A liberdade é algo que chega naturalmente e se instala, acompanhando a evolução da consciência, afirma a jornalista Luzia Pimentel.

Portanto, liberdade é única e exclusivamente ser do jeito que você é, deixar seu ser verdadeiro transbordar dentro de si e permitir que ele dirija suas ações. E não se há de ter medo de uma liberdade assim. Um ser livre não prejudica ninguém porque tem noção da interdependência de todos os seres. Ele está conectado a tudo e a todos. É o que dizem pensadores como Fritjof Capra, autor de livros como ‘Teia da Vida’ e ‘Conexões Ocultas’. Nesse nível de consciência, a liberdade considera o outro, não é antiética ou irresponsável. Não existe agir ou não agir corretamente quando existe liberdade. Você é livre, e, desse centro livre, age. Portanto, não existe medo, e a mente sem medo é capaz de infinito amor, diz Krishnamurti com um golpe de mestre. Só pode amar verdadeiramente quem é livre.

‘Se você quiser conhecer agora o que acontece numa clínica existencialista com pacientes à procura da liberdade, continue. Se desejar ir para o último bloco de texto e saber se um dia podemos ser realmente livres, pule esta parte e leia o último trecho do texto.’
Café no Deux Magots

Talvez ninguém tenha falado tanto e tão profundamente sobre a liberdade no século 20 quanto o filósofo francês Jean-Paul Sartre. Para os existencialistas franceses, que costumavam se reunir no pós-guerra em cafés parisienses como o ‘Flore’ e o ‘Deux Magots’, a liberdade era a condenação do ser humano. Sua múltipla possibilidade de escolhas o colocava numa situação sem escapatória, sem saída. Para Sartre, o homem era condenado a escolher, sempre e sempre, pois ele é a própria essência da liberdade. Ou seja, o ser humano é ser humano por ser, em si mesmo, um projeto de liberdade. Ele é a expressão do desejo de ser ser livre, ser um ser. Cada homem ou mulher é uma liberdade vivendo segundo um projeto original de ser e de escolher, diz o psicólogo e psicoterapeuta corporal Levi Leonel de Souza, que usa o ponto de vista existencialista na psicanálise. O paciente de uma clínica existencial se descobre como um ser que deseja a liberdade. Nesse processo terapêutico, floresce seu projeto original particular, que é seu modo especial de exercer sua humanidade, sua liberdade, diz.

É um desafio e tanto: nos descobrirmos como seres que anseiam pela liberdade, e da liberdade vivenciada de uma determinada maneira, que é particular a cada um. Para conhecer esse ponto fundamental de uma existência, vale qualquer esforço.

‘Se você quiser conhecer a frase que fica nos pés da Estátua da Liberdade, vá em frente. Se quiser parar para reler algum trecho do texto antes de terminá-lo, faça isso sem pressa, sem afobação.’
Amados grilhões

Como você realmente gostaria de ser lembrado na vida? O poeta indiano Rabindranath Tagore tinha certeza de que gostaria de ser reverenciado como um homem livre, que viveu ao máximo seu próprio ser. Eu só tenho um desejo que se lembrem de mim como um cantor de orações, como um dançarino, como um poeta que ofereceu todo seu potencial, todas as flores do seu ser para a divindade desconhecida da existência, dizia ele. Porém, também foi Tagore quem escreveu que desejava a liberdade mas que também amava tudo aquilo que o acorrentava na vida, que ele chamou de meu manto de poeira e morte. Odeio-o, mas o abraço com amor, reconheceu humildemente o poeta. Tagore era como qualquer um de nós: querendo ser livre mas ainda assim amando e desejando aquilo que o agrilhoava. Mas a própria liberdade parece não se importar muito com nossas correntes e o estranho (mas perfeitamente compreensível) amor que dedicamos a elas. O belo e famoso soneto da poeta americana Emma Lazarus, Novo Colosso, aos pés da Estátua da Liberdade, em Nova York, dá as boas-vindas aos fracos, miseráveis e desesperados como nós, que desejam ser livres. O poema foi dedicado aos milhões de imigrantes que chegavam aos Estados Unidos entre o fim do século 19 e o início do século 20, gente que ansiava por liberdade política, religiosa, econômica. Para eles, a deusa oferece, generosamente, a luz brilhante de sua tocha.
Para saber mais:

Livros:
‘As Conexões Ocultas’, Fritjof Capra, Cultrix-Amana-Key
‘Liberdade, a Coragem de Ser Você Mesmo’, Osho, Cultrix
‘Liberte-se do seu Passado’, Jiddhu Krishnamurti, Cultrix
‘Vitaminas Filosóficas’, Theo Ross, Casa da Palavra

Frases

“Temos o direito de sugar o leite da Mãe Natureza, mas não seu sangue.” Swami Tilak

A vida é valor absoluto. Não existe vida melhor ou maior, inferior ou superior – engana-se quem mata ou subjuga um animal por julgá-lo um ser inferior. Diante da consciência que abriga a essência da vida, o crime é o mesmo. Olympia Salete

“Quando se é capaz de lutar por animais, também se é capaz de lutar por crianças ou idosos. Não há bons ou maus combates, existe somente o horror ao sofrimento aplicado aos mais fracos, que não podem se defender”. Brigitte Bardot

Sem amor para com os nossos inferiores, não podemos aguardar a proteção dos Superiores. André Luiz (Missionários da Luz)

Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens. Alice Walker

Muito pouco da grande crueldade mostrada pelos homens pode ser atribuída realmente a um instinto cruel. A maior parte dela é resultado da falta de reflexão ou de hábitos herdados. Albert Schweitzer
A civilização de um povo se avalia pela forma que seus animais são tratados. Humboldt

A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados. Mahatma Gandhi

Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação à natureza e aos animais. Victor Hugo

Há muito de verdade no dito de que o homem se torna aquilo que come.
Quanto mais grosseiro o alimento tanto mais grosseiro o corpo. Ghandi

Os animais que você come não são aqueles que devoram outros, você não come as bestas carnívoras, você as toma como padrão.
Você só sente fome pelas criaturas doces e gentis que não ferem ninguém, que o seguem, o servem, e que são devoradas por você como recompensa de seus serviços. Jean-Jacques Rousseau em “Emile”

O homem implora a misericórdia de Deus mas não tem piedade dos
animais, para os quais ele é um deus. Os animais que sacrificais já vos deram o doce tributo de seu leite, a maciez de sua lã e depositaram confiança nas mãos criminosas que os degolam. Ninguém purifica seu espírito com sangue. Na inocente cabeça do animal não é possível colocar o peso de um fio de cabelo das maldades e erros pelos quais cada um terá de responder. Gautama Buda

O que não concebo é degolar um cabrito, asfixiar uma pomba, cortar a nuca de uma galinha, ou dar punhaladas em um porco para que eu coma seus restos. Não é por uma questão de química biológica o motivo de eu ter me passado para as fileiras do ovo-lacto-vegetarianismo, mas pelo imperativo moral de que minha vida não seja mantida às custas da vida de outros seres. Dr.Eduardo Alfonso, médico naturista espanhol

O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só se deva aplicá-la em relação aos homens. Dr. Albert Schweitzer

Quando me tornei vegetariano, poupei dois seres, o outro e eu . Prof. Hermógenes

Enquanto estivermos matando e torturando animais, vamos continuar a torturar e a matar seres humanos – vamos ter guerra. Matar precisa ser ensaiado e aprendido em pequena escala. Edgar Kupfer-Koberwitz

Entre a brutalidade para com o animal e a crueldade para com o homem, há uma só diferença: a vítima. Lamartine

Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade. Albert Einstein

Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro, mais sábia é a sua mente. George Bernard Shaw

Os animais são meus amigos…e eu não como meus amigos. George Bernard Shaw (Nobel 1925)

A proteção dos animais faz parte da moral e da cultura dos povos. Victor Hugo

Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor. Pitágoras

Sinto que o progresso espiritual requer, em uma determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, para a satisfação de nossos desejos corpóreos. Gandhi

Eu não tenho dúvidas que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais. Henry David Thoreau

A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana. Charles Darwin

Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem. Leonardo da Vinci

Se o homem aspira sinceramente viver uma vida real, sua primeira decisão deve ser abster-se de comer carne e não matar nenhum animal para comer. Leon Tolstoy

A carne é o alimento de certos animais. Todavia, nem todos, pois os cavalos, os bois e os elefantes se alimentam de ervas. Só os que têm índole bravia e feroz, os tigres, os leões etc. podem saciar-se em sangue. Que horror é engordar um corpo com outro corpo, viver da morte de seres vivos. Pitágoras

O destino dos animais tem muito maior importância para mim do que o medo de parecer ridículo: está indissoluvelmente ligado ao destino do homem. Emile Zola

Se quisérmos nos libertar do sofrimento, não devemos viver do sofrimento e do assassínio infligidos a outros animais. Paul Carton

Sempre que alguém diz “não devemos ser sentimentais”, entenda-se que está prestes a fazer algo cruel. E se acrescentar: “temos que ser realistas”, significa que vai ganhar dinheiro com isso. Brigid Brophy

A estrutura do homem, externa e interna, comparada com a de outros animais, mostra-nos que as frutas e os vegetais suculentos constituem sua alimentação natural. Lineu

Que luta pela existência ou que terrível loucura vos levou a sujar vossas mãos com sangue – vós, repito, que sois nutridos por todas as benesses e confortos da vida? Por que ultrajais a face da boa terra, como se ela não fosse capaz de vos nutrir e satisfazer? Plutarco

Os vegetais constituem alimentação suficiente para o estômago e, no entanto, recheamo-lo de vidas valiosas. Sêneca

Se eu tivesse outra vida, dedicá-la-ia inteiramente à luta contra a vivissecção. Bismark

Se fôssemos capazes de imaginar o que se passa, constantemente, nos laboratórios de vivissecção, não poderíamos dormir em paz e em nenhum dia estaríamos felizes e tranqüilos. Dr. Ralph Bircher

Falai aos animais, em lugar de lhes bater. Tolstoi

Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhorem nem levem em consideração as condições dos animais. Abraham Lincoln

São Francisco de Assis os chamava de nossos irmãos inferiores, porém, inferiores somos nós quando não os estimamos. Clóvis Hugues

Por que é que o sofrimento dos animais me comove tanto? Porque fazem parte da mesma comunidade a que pertenço, da mesma forma que meus próprios semelhantes. Émile Zola

Atrocidades não deixam de ser atrocidades quando cometidas em laboratórios e chamadas de pesquisa médica. George Bernard Shaw (Nobel 1925)

Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais…os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento. Charles Darwin

A não- violência leva-nos aos mais altos conceitos de ética, o objetivo de toda evolução. Até pararmos de prejudicar todos os outros seres do planeta, nós continuaremos selvagens. Thomas Edison

Como zeladores do planeta, é nossa responsabilidade lidar com todas as espécies com carinho, amor e compaixão. As crueldades que os animais sofrem pelas mãos dos homens está além da nossa compreensão. Por favor, ajude a parar com esta loucura. Richard Gere

Se você pudesse ver ou sentir o sofrimento, certamente não pensaria duas vezes. Preserve a vida. Não coma carne. Kim Basinger

Os animais dividem conosco o privilégio de terem uma alma. Pitágoras

Não haverá justiça enquanto o homem empunhar uma faca ou uma arma e, destruir aqueles que são mais fracos que ele. Isaac Bashevis Singer (Nobel – 1978)

Os cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio em suas relações. Sigmund Freud

Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhores com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que nós não estamos contribuindo para o sofrimento deles. Paul e Linda McCartney

Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante. Albert Schwweitzer (Nobel da Paz – 1952)

Matar um animal para fazer um casaco é um pecado. Nós não temos esse direito. Uma mulher realmente tem classe quando rejeita que um animal seja morto para ser colocado sobre os seus ombros. Só assim ela será verdadeiramente bela. Doris Day

Minha doutrina é esta: se nós vemos coisas erradas ou crueldades, as quais temos o poder de evitar e nada fazemos, nós somos coniventes. Anna Sewell

Eu temo pela minha espécie quando penso que Deus é justo. Thomas Jefferson

A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem. Arthur Schopenhauer

Por trás da bela pele há uma história. Uma história sangrenta e bárbara. Mary Tyler Moore

Em termos de evolução, bem maior é o débito da Humanidade para com os
animais do que o crédito que lhes temos dispensado para seu bem-estar e progresso. Eurípedes Kühl

Não creia que os animais sofrem menos do que os seres humanos. A dor
é a mesma para eles e para nós. Talvez pior, pois eles não podem ajudar a si mesmos. Dr. Louis J. Camuti

Não comer carne significa muito mais para mim que uma simples defesa do meu organismo; é um gesto simbólico da minha vontade de viver em harmonia com a natureza. O homem precisa de um novo tipo de relação com a natureza, uma relação que seja de integração em vez de domínio, uma relação de ser dentro dela e vez de possuí-la. Não comer carne simboliza respeito à vida universal. Pierre Weil

Aquele que matou um boi é como aquele que matou um humano. Isaías 66:3, profeta bíblico

“Bom é não comer carne…” Romanos, 21:14

“O vapor da carne obscurece a luz do espírito… Dificilmente se pode ter virtude quando se desfruta de refeições e festas com carne…” São Basílio (D.C. 320-79)

“Estou farto das oferendas queimadas de carneiros e da gordura dos animais engordados. Não Me regozijo com o sangue de touros, ou cordeiros, ou bodes… Não trazei mais oferendas vãs… Quando estenderdes vossas mãos, ocultarei meus olhos embora façais muitas orações, e não vos ouvirei. Pois vossas mãos estão cheias de sangue…” Isaías 1:11-15

“Desejo misericórdia e não sacrifício, o conhecimento de Deus em vez de oferendas queimadas…” Oseias 6:6

“Simplesmente não há razão porque os animais devam ser abatidos para servir como dieta humana quando existem tantos substitutos. O homem pode viver sem carne.”
Dalai Lama
“Os seres humanos têm potencial não só para criar vidas felizes para si mesmos, mas também para ajudar outros seres.” Dalai-Lama

“Não conseguimos nos separar daqueles que chamamos de animais “inferiores”.
Eles são inferiores na escala da evolução, mas tal como nós, são membros da Família Única. Não devemos tirar a vida de qualquer criatura. Na verdade, não devemos nunca tomar aquilo que não podemos dar. E como não podemos restituir a vida a uma criatura morta, não temos direito de tomar sua vida.”
J.P. Vaswani, Porque Matar Para Comer?

“Não existe um só animal na terra, nem criatura que voa com duas asas,
que não sejam povos semelhantes ao seu.” Alcorão, surata 6 verso 38

“Não mutilem as bestas brutas… Quem for caridoso para com as criaturas inferiores é bondoso para consigo mesmo… Aquele que tem piedade (até) para
com um pardal e poupa sua vida, Alá ser-lhe-á misericordioso no dia do julgamento.” Profeta Maomé

Certa vez alguém perguntou a George Bernard Shaw como é que ele parecia tão jovem. “Pareço ter minha própria idade. São as outras pessoas que parecem mais velhas do que são. Que se pode esperar de gente que come cadáveres?”
É somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta através do preparo culinário, que ela é tornada suscetível de mastigação ou digestão e que a visão de seus sucos sangrentos e horror puro não, criam um desgosto e abominação intoleráveis. Percy Bysshe Shelley

Um homem é verdadeiramente ético apenas quando obedece sua compulsão para ajudar toda a vida que ele é capaz de assistir, e evita ferir toda a coisa que vive. Albert Schweitzer

Incêndios propositais e crueldade com animais são 2 dos 3 sinais na infância
que sinalizam o potencial de um assassino serial. John Douglas
(analista do FBI que estuda o perfil de assassinos)

“Já sabemos que, no estado atual da nossa jornada evolutiva, matar é um mal.
Isto é tudo. Max Heindel

O mesmo Aristóteles caracterizou os humanos como seres racionais que falam. A dimensão anímica ou psíquica (psique = alma) dos humanos foi concebida pelo filósofo como um composto de duas partes: uma racional e a outra privada de razão. A primeira expressa-se pela atividade filosófica e matemática. A segunda, por seus elementos vegetativos e apetitivos. Isso permitiu a hieraquização dos seres vivos.

Pela segunda parte da alma, somos iguais a todos os outros animais. Movidos pelos institos primários (fome, sede, sono, reprodução), somos guiados pela necessidade de sobrevivência. Todos os seres vivos têm em comum um problema único a resolver: como sobreviver. Necessitamos de alimentos para aplacar nossa fome; de água para saciar a sede; dormir para descansar o organismo; nos reproduzir por meio da atividade sexual e assim perpetuar a espécie. Mas o que nos diferencia dos animais? Segundo Aristóteles, é a racionalidade. Nós somos capazes de planejar nossas ações, de realizar escolhas e julgá-las, terminando seu valor. Agimos acreditando que estamos fazendo o bem e, mesmo quando julgamos mal nossas ações, é sempre o bem que estabelece o critério de tal julgamento.

Assim, os seres humanos identificam-se como tais pelas distinções que são capazes de estabelecer com os outros animais e, por consguinte, com todo o reino da natureza. Os seres humanos definem-se pela capacidade de pensar, falar, trabalhar e amar. Ainda com Aristóteles, podemos identificar três coisas que controlam a ação: sensação, razão e desejo. A primeira não é principio para julgar a ação, pois também os outros animais possuem sensação, mas não participam da ação.

A ação é o movimento deliberativo, isto é, a origem da ação é a escolha. Os homens diferem dos demais animais porque são capazes de realizar escolhas. O desejo está na raíz dessas escolhas; a razão é o seu guia. Para Aristóteles, o desejo é a força motriz, o impulso gerador de todas as nossas ações. Mas essa força motriz deve seguir o curso traçado pela razão. A razão guia, conduz o desejo ao encontro de seu objetivo.

Realizar escolhas é elejer objetos para o desejo. O critério das escolhas é sempre racional. O motivo é sempre emocional, ou seja, impulsionados pelo desejo, movemo-nos em direção aos objetos. Nesse sentido, a capacidade racional de realizar escolhas permite-nos afirmar nossa condição de liberdade. O exercício da liberdade é a capacidade de escolher. Nisso os humanos podem se desviar do determinismo que rege o mundo da natureza. Os animais jamais podem escolher. Suas ações são determinadas pelo padrão genético de suas espécies. Quando olhamos um filhote de cachorro, por exemplo, somos capazes de dizer seu comportamento futuro. Ao olhar para um bebê, é impossível prever seu comportamento, suas condições e suas intenções.

É a escolha que define o caráter de um ser humano. Suas virtudes se manifestam nas escolhas que realiza no curso de sua condição mortal. Aqui se apresentam algumas questões éticas de grande relevãncia: Quais os critérios que norteam as escolhas que um homem faz em sua vida? Quais são os valores que pautam suas ações? Quais objetivos pretende atingir e com quais meios efetivará sua realização? Afirma-se que toda ação deve ser justa e boa. Mas, o que determina a justiça e a bondade? O que é ser justo? O que é ser bom?

No exercício da liberdade, cada um de nós se relaciona com outros indivíduos e dessas relações emerge a realidade social. Chamamos sociais nossas relações com os outros no mundo. A sociedade é uma construção história pautada numa lei fundamental: é proibido matar o semelhante. No entanto, numa rápida olhada em qualquer jornal, por exemplo, descobrimos que o assassinato é praticado das mais diferentes formas: guerras, fome, assaltos, atentados terroristas, etc. Vez ou outra, ouvimos dizer que essas ações são desumanas. Mas como, se foram praticadas por seres da mesma espécie, animais racionais?

Livro Ética e Cidadania – Autor Silvio Gallo

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