Olá Joana!

ESCRITO EM 08/07/2013.

Olá Joana!

Estou aqui escrevendo pra você! Não sei como você é e nem como é o seu rosto, mas parece ser muito bonita pelo ultrassom 3D!

Nunca sonhei em ser mãe e achava que essa tarefa não faria parte da minha vida aqui! Sempre admirei as mães e os cuidados que elas tem com os filhos, mas a mim era um desejo que não existia! Estranho? Não sei! Acho que existem mais pessoas assim como eu!

As únicas coisas que senti de “ruím” foram azia e sensibilidade. Nossa, como eu chorava e ainda choro! O simples fato de deixar seu pai no trabalho ou de sair da casa dos meus pais e minhas irmãs já é motivo pra chorar.

E são umas lágrimas que molham mesmo! De repente me vejo no carro chorando e com o pescoço cheio de lágrima, é até engraçado! Ai ai, mulheres!

Estamos completando 39 semanas no ar, isso equivale a 9 meses e meio de gestação, quase 10. Você está quase chegando na minha vida e eu não consigo imaginar o que é esse sentimento que tantas pessoas falam que sentem. Não consigo imaginar a minha vida com um bebezinho que depende só de mim e que vai crescer e vai ser um espelho de tudo que eu acredito! Que coisa louca!

Só queria dizer pra você que estou mais que preparada pra te receber, que vou usar todas as minhas forças nesse momento e que sua chegada aqui vai ser muito gloriosa! Vamos andar conforme sua vontade!
Suas tias, primas, avós e papai estão morrendo de tanta ansiedade e aqui você vai ter um mundo lindo, inteiro pra você!
Seu pai e eu vamos ensinar tudo de bom que aprendemos na vida e vamos te dar apenas coisas lindas! Já estamos planejando até um cãozinho, assim que você nascer, para que ele possa te acompanhar passo a passo!

Espero que você seja uma criança muito feliz, linda, inteligente e agradável com todos, que seja sensível, amiga, companheira e que seja muito, muito feliz!
Se depender da visão que eu e seu pai temos da vida, prometo que a sua vai ser maravilhosa!

A hora que você quiser, que você desejar estarei aqui prontinha pra te receber!

Venha, querida!!!!

Um beijo da sua mãe,

Claudia

24/02/2012

E ouvindo Nietzsche, em Assim falou Zaratustra:

Somente quando o sofrimento não for mais vivido como uma objeção contra a vida e um motivo para condená-la é que o homem poderá superar seu desejo de um além metafísico e seu rancor contra a passagem do tempo. Somente dessa maneira a totalidade da vida poderá ser assumida, sem acréscimos e subtrações, com todas as suas misérias e êxtases firmemente encadeados entrei si, pois eles se condicionam mutuamente e aquele que deseja, de fato, a ventura, não pode amputar as dores do mundo”.

O Zoo de Lujan – Circo ao ar livre

Recentemente estive na Argentina para conhecer Buenos Aires e de quebra ir ao Zoo de Lujan. O Zoo fica na cidade de Lujan, 50 km de Buenos Aires.

Antes de ir pra lá ví várias fotos na internet e me deu uma vontade enorme de conhecer. Imagina só! Eu iria entrar na jaula com um Tigre, um Leão! Caramba! Isso parecia mágico!
iria dar mamadeira para os filhotes, ver como eles são bem cuidados, um sonho!

Enfim, fomos para lá, meu namorado Eduardo e eu. Pagamos um valor de 150 reais cada um, incluindo traslados do Hotel para lá e ingresso. O Eduardo não queria ir desde o começo. Ele já previa tudo isso… Mas eu, como não posso ver um bicho na rua que já quero acariciar, não me dei conta e estávamos lá.

Chegando no local já entramos numa fila para tirar fotos com o elefante.

O Elefante ficava em pé e você podia dar uma cenoura pra ele (na frente ficava uma caixa cheia de cenouras). Era tudo muito rápido. Você tinha que fazer tudo, incluindo a foto em até uns 20 segundos.
Me assustou um pouco o jeito do tratador, muito semelhante a esses rapazes de circos.

Em seguida fomos pra um lugar no qual não podia tirar fotos, apenas com a câmera do Zôo. Lá eles colocam duas Araras no seu ombro e tiram a foto. Depois você dá uns passos senta numa cadeira e tira foto com a cobra Phyton.

Em seguida sobre para a fila do Dromedário. Sobe no animal e cavalga alguns passos.
Ao redor alguns animais magros, magros, magros. Tinha um bezerro que acho que não via comida há alguns meses.

Após o Dromedário você vai para a fila do Tigre.
São 3 Tigres dentro da jaula, dois dormindo num sono profundo e outra meio acordado.
Na grade uma garrafa de coca-cola com leite dentro e furada na tampa. O tratador pegava essa garrafa e borrifava no animal para ele se lamber e se entreter enquanto as pessoas entravam na jaula e passavam a mão nele.

O Leão era o animal mais depressivo que eu já vi na vida! Uma parte da linguinha estava de fora (se ele estava sedado eu não sei, mas tenho quase certeza). Você fica com sono só de olhar os animais.

O tratador do Leão jogava água na cara do Leão com spray. Sempre que ele ameaçava deitar, tomava banho de spray. Uma tortura. Fora que, em meio a toda essa tortura, o tratador ainda penteava a juba do Leão.
Sabe quando você bebe todas e as pessoas te colocam em pé e te arrumam? Era igualzinho.
O cheiro de carniça do lugar é muito forte também, devido à alimentação dos animais.

Nos arredores do Zoo tem Lhamas, Patos, Gansos, Bodes, todos com bastante fome.

Resumindo: você vai ter fotos com Leão, Tigres, Ursos e etc, mas na pior condição possível. A vontade que me deu foi de chorar por ver tanta gente alí e aqueles animais presos, dopados, sonolentos e ainda posando para milhões de fotos.

O tratador do Leão tem horário de almoço. Ele saiu da jaula com todo mundo xingando, pois ele ia almoçar às 14h e só retornaria às 15h e não há ninguém pra ficar no lugar dele. Saiu nervoso e com um garfo e uma faca na mão, provavelmente iria esquentar seu almoço.

O lugar é largado, parece um circo que não existe mais e ficaram só os animais e os tratadores. Dá muita dó daqueles bichos, que muitas vezes são criados alí.

Tinha uma mulher funcionária em uma outra ala, com um filhote de tigre na coleira e vc tinha que pegar uma fila pra então chegar perto do filhote.
Nossa, fico imaginando a mãe desse animal.

Enfim, se você gosta mesmo de animais, fique bem longe desse lugar. Vai lidar com gente ignorante, com maus tratos sim, com deprê. Pegue seu dinheiro e faça outro passeio.

Nós entramos apenas na jaula do Tigre, pois a fila estava menor. Não entramos no Leão, nem Urso, nem Tigre Branco.

FOTOS:

Reparem no REI DA SELVA, em estado de HUMILHAÇÃO.

Em uma das fotos dá pra ver a ponta da língua de fora, característica de um animal dopado.

 

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Alma Nua

Ó Pai
Não deixes que façam de mim
O que da pedra tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestes
Dá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempo
Pro templo do amor

Que se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio

À vadiagem pela rua
Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima

Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido

De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho

Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio Deus
Viver menino, morrer poeta

24/02/2012

E ouvindo Nietzsche, em Assim falou Zaratustra:

Somente quando o sofrimento não for mais vivido como uma objeção contra a vida e um motivo para condená-la é que o homem poderá superar seu desejo de um além metafísico e seu rancor contra a passagem do tempo. Somente dessa maneira a totalidade da vida poderá ser assumida, sem acréscimos e subtrações, com todas as suas misérias e êxtases firmemente encadeados entrei si, pois eles se condicionam mutuamente e aquele que deseja, de fato, a ventura não pode amputar as dores do mundo”.

Mas eu

   Mas eu, em cuja alma se refletem  
   As forças todas do universo, 
   Em cuja reflexão emotiva e sacudida 
   Minuto a minuto, emoção a emoção, 
   Coisas antagônicas e absurdas se sucedem — 
   Eu o foco inútil de todas as realidades, 
   Eu o fantasma nascido de todas as sensações, 
   Eu o abstrato, eu o projetado no écran, 
   Eu a mulher legítima e triste do Conjunto 
   Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.

Álvaro de Campos

Leonardo Boff: A mídia comete sim abusos ao atacar Lula e Dilma

O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Por Leonardo Boff

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública.

São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revistaVeja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros.

De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.