O Zoo de Lujan – Circo ao ar livre

Recentemente estive na Argentina para conhecer Buenos Aires e de quebra ir ao Zoo de Lujan. O Zoo fica na cidade de Lujan, 50 km de Buenos Aires.

Antes de ir pra lá ví várias fotos na internet e me deu uma vontade enorme de conhecer. Imagina só! Eu iria entrar na jaula com um Tigre, um Leão! Caramba! Isso parecia mágico!
iria dar mamadeira para os filhotes, ver como eles são bem cuidados, um sonho!

Enfim, fomos para lá, meu namorado Eduardo e eu. Pagamos um valor de 150 reais cada um, incluindo traslados do Hotel para lá e ingresso. O Eduardo não queria ir desde o começo. Ele já previa tudo isso… Mas eu, como não posso ver um bicho na rua que já quero acariciar, não me dei conta e estávamos lá.

Chegando no local já entramos numa fila para tirar fotos com o elefante.

O Elefante ficava em pé e você podia dar uma cenoura pra ele (na frente ficava uma caixa cheia de cenouras). Era tudo muito rápido. Você tinha que fazer tudo, incluindo a foto em até uns 20 segundos.
Me assustou um pouco o jeito do tratador, muito semelhante a esses rapazes de circos.

Em seguida fomos pra um lugar no qual não podia tirar fotos, apenas com a câmera do Zôo. Lá eles colocam duas Araras no seu ombro e tiram a foto. Depois você dá uns passos senta numa cadeira e tira foto com a cobra Phyton.

Em seguida sobre para a fila do Dromedário. Sobe no animal e cavalga alguns passos.
Ao redor alguns animais magros, magros, magros. Tinha um bezerro que acho que não via comida há alguns meses.

Após o Dromedário você vai para a fila do Tigre.
São 3 Tigres dentro da jaula, dois dormindo num sono profundo e outra meio acordado.
Na grade uma garrafa de coca-cola com leite dentro e furada na tampa. O tratador pegava essa garrafa e borrifava no animal para ele se lamber e se entreter enquanto as pessoas entravam na jaula e passavam a mão nele.

O Leão era o animal mais depressivo que eu já vi na vida! Uma parte da linguinha estava de fora (se ele estava sedado eu não sei, mas tenho quase certeza). Você fica com sono só de olhar os animais.

O tratador do Leão jogava água na cara do Leão com spray. Sempre que ele ameaçava deitar, tomava banho de spray. Uma tortura. Fora que, em meio a toda essa tortura, o tratador ainda penteava a juba do Leão.
Sabe quando você bebe todas e as pessoas te colocam em pé e te arrumam? Era igualzinho.
O cheiro de carniça do lugar é muito forte também, devido à alimentação dos animais.

Nos arredores do Zoo tem Lhamas, Patos, Gansos, Bodes, todos com bastante fome.

Resumindo: você vai ter fotos com Leão, Tigres, Ursos e etc, mas na pior condição possível. A vontade que me deu foi de chorar por ver tanta gente alí e aqueles animais presos, dopados, sonolentos e ainda posando para milhões de fotos.

O tratador do Leão tem horário de almoço. Ele saiu da jaula com todo mundo xingando, pois ele ia almoçar às 14h e só retornaria às 15h e não há ninguém pra ficar no lugar dele. Saiu nervoso e com um garfo e uma faca na mão, provavelmente iria esquentar seu almoço.

O lugar é largado, parece um circo que não existe mais e ficaram só os animais e os tratadores. Dá muita dó daqueles bichos, que muitas vezes são criados alí.

Tinha uma mulher funcionária em uma outra ala, com um filhote de tigre na coleira e vc tinha que pegar uma fila pra então chegar perto do filhote.
Nossa, fico imaginando a mãe desse animal.

Enfim, se você gosta mesmo de animais, fique bem longe desse lugar. Vai lidar com gente ignorante, com maus tratos sim, com deprê. Pegue seu dinheiro e faça outro passeio.

Nós entramos apenas na jaula do Tigre, pois a fila estava menor. Não entramos no Leão, nem Urso, nem Tigre Branco.

FOTOS:

Reparem no REI DA SELVA, em estado de HUMILHAÇÃO.

Em uma das fotos dá pra ver a ponta da língua de fora, característica de um animal dopado.

 

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Familiares reunidos em torno da mesa

Por Tamara Bauab Levai

“[…] Palavra tristeza/Aqui na mesa/Para o deleite de vossa alteza […]”

(Seychelles – À face do tempo)

Familiares reunidos em torno da mesa, com sentimentos híbridos de amor, obrigação, costume, e outros tantos. Pai, mãe, filhas, filhos, noras, cunhado, prima, namorada da prima, neto…

Uma criança pequena, ainda não totalmente civilizada, pergunta inocentemente porque o prato à sua frente tem olhos, boca e está sendo despedaçado pelo avô.

“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo não vêem.” J. Saramago – Ensaio sobre a cegueira.

Vivemos em um estado de dormência moral, que nos torna cegos e apáticos a muitos comportamentos considerados “normais e naturais” por uma sociedade de cegos. Acomodados a repetição dos erros de nossos antepassados – sem questionar a maioria deles – comemoramos o nascimento do filho de um Deus “misericordioso e benevolente”, celebrando a paz e a compaixão; reunidos, em família, ao redor de ossos, músculos e vísceras que ora pertenciam ao corpo de animais de outras espécies.

A mídia que serve a interesses políticos e econômicos de forma inescrupulosa manipula a maioria das pessoas, que responde com um comportamento acrítico, manifestando uma típica doença dos tempos atuais: a cegueira ética condicionada. Incapazes de enxergar a verdade que tentam esconder de nós, vivemos enganados por vontade própria, desviando o olhar daquilo que nos incomoda.

Não parece que seja um comportamento natural, que seres humanos, que se dizem racionais, mais evoluídos, espiritualizados e sensíveis, sejam coniventes com as conseqüências de suas escolhas alimentares, que acarretam o aprisionamento, a tortura, o estupro, a escravidão, o assassinato e o consumo dos corpos de outros seres também capazes de amar, sofrer, sentir medo, angústia, dor, carinho e outras infinidades de sentimentos e sensações.

As propagandas veiculadas pelos meios de comunicação em massa nos mostram, a todo instante, perus, galinhas, porcos e vacas, felizes e ansiosos de contribuírem com o sabor de nossos pratos. Por mais que a indústria da morte tente nos convencer que as vacas e galinhas vivam soltas e felizes, nenhum delas concordaria em ser assassinada para ter seu corpo consumido em uma festa religiosa para evocar a paz entre os homens.

Não há o que comemorar sentindo o cheiro da morte, sendo cúmplices desta onda de assassinato em massa, quando deveríamos estar de luto constante pela infinidade de animais mortos para saciar a fome de violência do homem.

“Quem sabe, esta cegueira não é igual às outras, assim como veio, assim poderá desaparecer. Já viria tarde para os que morreram….” J. Saramago – Ensaio sobre a cegueira.


Tamara Bauab Levai –
tamybec@yahoo.com.br
Bacharel em Comunicação Social pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, mestre em Ciências Biológicas – laboratório de Síntese Orgânica IP&D – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento – UNIVAP, especialista em Biologia Celular e Histologia Geral – Departamento de Morfologia da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, autora do livro “Vítimas da Ciência – Limites éticos da experimentação animal” (80 p.).

Fonte:
http://www.institutoninarosa.org.br/defesa-animal/artigos/88-etica/246-familiares-reunidos-em-torno-da-mesa

O ser humano…

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Não pude deixar de tirar essa foto. Sim, foi tirada por mim.
Esse animal foi abandonado e resgatado pelo CCZ. Este o enviou a um HOVET de uma Univeridade particular.
O estado dele era deplorável. O cheiro estava muito forte e ele não conseguia engolir nada. Mastigava o capim e depois cuspia.
Avaliado pelos Veterinários, doi dedicido não fazer a cirurgia nele e sim mandá-lo de volta ao CCZ para o sacrifício.
A Veterinária disse que as bicheiras estavam por todo o pescoço dele e que se abrisse, seria desastroso de ver, além de ele não resistir.
Chorei por muitos dias. E nunca vou esquecer a imagem dele sendo empurrado para o caminhão do CCZ.
Todas as atrocidades que vemos por aí são treinadas diariamente nos animais.

Uma visita ao matadouro

Uma visita aos matadouros

Relato do biólogo Sergio Greif, da Sociedade Vegetariana Brasileira.

“Passei alguns de meus últimos anos no interior de São Paulo, fiscalizando fontes de poluição ambiental: usinas de açúcar e álcool, fábricas de processamento de polímeros, fundições etc. Mas nada me pareceu tão poluente e agressivo quanto os abatedouros de animais. Estas atividades são, é claro, extremamente poluentes, mas pretendo falar sobre este assunto em outra ocasião.
Gostaria de reservar este momento para falar sobre uma outra forma de violência, aquela que presenciei nos matadouros e abatedouros de animais.

Embora o sofrimento do animal que será abatido se inicie já em seu nascimento, é no matadouro que ele encontra o seu fim. Não é um fim agradável, tranqüilo ou sem dor, como muitas pessoas querem acreditar. As pessoas são levadas a crer que os animais que lhes servem de alimento levaram uma vida de prazeres, brincando nos campos com outros animais de fazenda e que em determinado dia estes foram transportados e abatidos de forma indolor. Esta é a imagem que a indústria da carne nos passa, com suas propagandas de animais sorridentes e suas embalagens coloridas que quase não sangram.

As pessoas não acreditam – ou não querem acreditar – que animais de corte tiveram toda uma existência miserável, privados da luz do sol, do ar fresco, de pisar a terra.
O objetivo de uma criação de animais de corte não é, é claro, o bem estar dos animais. O objetivo é lucro, produzir mais carne em menor espaço e no menor tempo possível. Desta maneira Bois, Porcos e Frangos são criados em locais com alta densidade de indivíduos, em espaços mínimos que limitam seus movimentos e o desempenho das atividades mais básicas – características de suas espécies.
Os bovinos ainda são criados de maneira extensiva no Brasil, mas esta realidade tende a se alterar com o aumento na demanda e profissionalização do setor.

Descrever o que acontece em um matadouro não é uma tarefa fácil. Provavelmente ler sobre o que lá se passa também não seja, mas acredito que temos a obrigação de divulgar estas verdades e desfazer os mitos que se formam, de que os animais não sofrem com o abate. Todo aquele que se alimenta de animais tem o dever de conhecer este último e importante passo na vida da comida que tem em seu prato. As descrições que se seguem representam o que pude presenciar do abate de animais. Quando forem citados procedimentos diversos aos quais presenciei, farei menção a isto.

Matadouros de Gado

Os animais são transportados em caminhões de transporte de gado, geralmente contendo 12 animais, que tentam se manter em pé enquanto o veiculo se desloca. Os animais são geralmente trazidos de fazendas próximas ao abatedouro, mas em alguns casos provém de localidades mais distantes, o que significa que esse transporte pode durar várias horas.

O caminhão adentra o matadouro e os animais são descarregados a chutes e pontapés em um terreiro cercado (imagino que eles foram colocados no caminhão também na base do chute). Neste terreiro os animais ficarão à espera por algumas horas, pois os abates quase sempre ocorrem durante a madrugada.

Não pude presenciar a hora em que o abate começa, devido ao horário, mas imagino que os animais são enfileirados no corredor que leva à sala onde serão abatidos. Nas primeiras horas da manhã é evidente o estresse que estão vivendo os que ainda esperam a vez de entrar na sala do matadouro, pois estes presenciaram a morte de todos os animais que foram na frente. Seus olhos aparecem saltados na órbita, bem irrigados de sangue, e seus mugindo são desesperados e frenéticos.

Estes animais ouviram o que aconteceu com os animais que foram à sua frente, sentiram o cheiro de seu sangue e possivelmente viram alguma cena desagradável. É claro que resistem até onde podem para não passar pelo corredor que leva à sala do matadouro. Por este motivo, um funcionário do estabelecimento os força a fazê-lo dando chutes e eletrochoques com uma vara. O animal vivencia um verdadeiro pânico e tenta recuar, mas é empurrado para a frente pelo animal que vem atrás, que também está levando eletrochoques. Ele tenta se jogar para os lados, mas as barras de aço só lhe permitem que avance à frente.

Ao entrar na sala do matadouro, o animal presencia por cerca de um minuto o que está sendo feito com seus companheiros: alguns já pendurados, alguns sendo fatiados em diferentes processos, seu sangue e suas tripas espalhadas pelo chão da sala. O animal, em vão, tenta escapar, mas está completamente cercado por barras de aço. Neste momento o animal sofre o processo que se chama “insensibilização”.
No caso dos matadouros que estive visitando, esta insensibilização é feita com uma pistola pneumática, mas em muitos matadouros a insensibilização ainda é feita a golpes de marreta. A pistola pneumática dispara uma vareta metálica no crânio do animal, perfurando-o até o cérebro. Diz-se que este é um método “humanitário”, pois o animal não sofre dor e permanece desacordado por todo o resto do processo, mas a verdade é que não podemos saber se aquele animal de fato não sentiu dor. Certamente a pistola o torna imóvel, mas o animal não parece desacordado, apenas atordoado e impossibilitado de reagir. Algumas vezes, um mesmo animal precisa ser insensibilizado mais de uma vez, o que mostra que este não é um método “humanitário” nem indolor.

No passo seguinte, o animal é pendurado de cabeça pra baixo em uma corrente, suspenso por uma das patas traseiras.

É possível que neste momento o peso do animal trate de romper alguns de seus ligamentos e destroncar seus membros.

No momento em que o animal é suspenso, percebo que sua cabeça ainda se move.
O funcionário do matadouro diz que são espasmos, contrações involuntárias, que o animal já não pode sentir. Mas seus olhos ainda piscam, a língua ainda se mexe, tentando conter o vômito e puxar para dentro o ar. Este animal não está sentindo dor?

O animal é então sangrado, degolado, estripado e esfolado. O sangue que jorra é recolhido em parte para uns tonéis, mas a maior parte cai em uma canaleta. As fezes e o vômito são recolhidos em outra canaleta. Com enormes facas sua barriga é aberta e as tripas são jogadas no chão. Alguns animais ainda parecem se mexer nesta etapa e a impressão que tenho é que eles podem ver suas tripas no chão. O sangue e as tripas serão encaminhados para o setor de processamento de embutidos (lingüiças, salsichas, etc).

O couro destes animais que servem para a produção de carne não é considerado de boa qualidade, mas mesmo assim ele é retirado para uso menos refinado. Após isso o animal é baixado e são retirados os testículos, as mamas, patas e língua. Estas ‘peças’ são comercializadas como iguarias ou são encaminhados para o setor de ‘graxaria’, de onde sairá o mocotó e a gelatina.

Como os matadouros que visitei possuíam uma grande produção, uma “linha de desmontagem” como diriam alguns, pouca atenção era dada para cada animal e mesmo na etapa de retirada do couro e desmembramento, alguns animais ainda estavam se mexendo. Neste matadouro o couro é retirado quase completamente por uma máquina que parece uma máquina de fazer massas; o funcionário apenas tem que separar o couro em alguns pontos.

Finalmente, ocorre o corte seccional da “peça”. O animal é dividido em duas metades e a carcaça é lavada. Neste momento, dependendo da finalidade, o animal poderá ser retalhado em cortes ou sua carcaça poderá ser levada para o frigorífico. Quando a carne chega à câmara fria, o calor do animal ainda emana dela. As carcaças são penduradas em ganchos enfileirados e apesar do frio, o cheiro nauseante da carne é perfeitamente perceptível. Dali a carne seguirá para os açougues e mercados.

Matadouro de suínos

O abate de suínos é um pouco diferente do abate de bovinos. Alguns dos matadouros que conheci simplesmente não o faziam; outros reservavam um dia da semana para o abate de suínos e apenas um possuía um programa de abate constante de suínos.

Os porcos são criados em sistema de confinamento, diferente do gado bovino no Brasil. Estes animais são criados em baias cobertas e muitas vezes ficam isolados do chão. Recebem ração de engorda e jamais tem a possibilidade de chafurdarem a terra, comer grama, etc. A idéia é que o animal receba alimentos calóricos e que gaste pouca energia movimentando-se. Desta forma o animal ganha peso em menor tempo.

Nos últimos dias, os que antecedem o abate, o animal recebe menos ração e um ou dois dias antes recebe apenas água. Isto se dá para que na hora do corte, haja menos fezes transitando pelo trato digestivo, o que facilita a limpeza da carcaça do animal.

Os suínos chegam em um caminhão de transporte, em engradados empilhados em 4 andares. As fezes dos porcos de cima caem sobre os porcos de baixo e o cheiro do caminhão como um todo é insuportável, mesmo quando se está dirigindo atrás de um destes em uma rodovia, a 120 km/hora. No matadouro, os engradados contendo os animais são descarregados sem grandes cuidados. Os animais são forçados a saírem à base de pontapés ou sendo cutucados por porretes.

No terreiro de espera, os animais ouvem o que se passa com os que já adentraram a sala do matadouro, e se desesperam. Não pude deixar de notar, em uma de minhas visitas a um destes matadouros, que em momento algum os porcos silenciavam. O tempo todo em que os animais aguardavam no terreiro, um funcionário do matadouro tentava “acalmá-los”, batendo-lhes com um porrete. Da mesma maneira, para que entrassem na sala de abate, os animais eram conduzidos com chutes e clavadas.

Na sala de abate o animal recebe um eletrochoque, que lhe causa uma paralisia, mas certamente não a sua morte. O animal é então suspenso por uma das pernas e degolado com uma faca (o sangue é recolhido para um tanque) e suas tripas são retiradas. Em seguida ele é mergulhado em um tanque de água fervente e depois é desmembrado. Devido à velocidade com que este processo ocorre, algumas vezes o animal é mergulhado ainda vivo e consciente na água fervente e chega ainda piscando os olhos na mesa de corte e esfola.

Matadouro de aves

O abate de aves ocorre em estabelecimentos especiais denominados “abatedouros de aves”. Conheci abatedouros grandes, das maiores empresas nacionais e que vendem seus produtos para o mundo inteiro. Por este motivo, o fluxo de atividades nestes estabelecimentos é constante.

Vêem-se filas de caminhões trazendo frangos de diversas granjas para serem abatidos. Os animais são transportados em pequenas gaiolas contendo 5 ou 6 aves. Muitas delas já chegam mortas devido ao estresse do transporte e ao tempo de espera. Presenciar o descarregamento destes animais é uma visão única. As gaiolas são abertas, e os animais são presos pelas patas, de cabeça para baixo, em ganchos presos a uma esteira. Os animais perecem não ter reação nenhuma. Certa vez vi a esteira parar para o almoço dos funcionários, algumas gaiolas já estavam abertas. As aves continuaram ali, mesmo as que saíram das gaiolas apenas se empoleiraram na grade. Não tiveram o impulso de sair. Uma das aves que foi parar embaixo do caminhão ficou lá por mais de uma hora. Não é que estes animais não tivessem amor por sua própria vida, mas sim o fato de que jamais tiveram a oportunidade de exercitar seus músculos. A maioria daqueles animais tinha cerca de 45 dias de vida e foram criados para terem coxas e peitos macios e enormes, não para andarem por aí. Por este motivo, eram incapazes de dar mais do que alguns passos.

Nas esteiras, os animais são levados para a sala onde ocorre o abate. Ali recebem um choque de pequena voltagem, que deveria servir para atordoá-los, mas na verdade, apenas deixa as aves mais agitadas. Pergunto por que não aumentam a voltagem, para assim as aves simplesmente morrerem ou serem menos ao menos atordoadas. O gerente de produção me explica que se eles aumentassem a voltagem o animal de fato morreria, mas isto também endureceria a carne.

Elas seguem então para uma máquina que procede a degola automática e depois tomam um banho escaldante. São então depenadas e estrinchadas. Muitas vezes ainda estão vivos quando chegam a estas ultimas etapas, tendo sobrevivido inclusive à fervura.

Presenciei inclusive animais que em uma ou outra fase do processo se soltam dos ganchos e caem no chão, ficando lá se debatendo. Os funcionários não fazem nada para abreviar seu sofrimento, pois não podem se desligar de suas atividades na esteira. Desta forma, a morte destes animais é ainda mais lenta e dolorosa.

Quem são os responsáveis por estas mortes?

Mesmo uma pessoa sensível, quando exposta a estas cenas durante cinco dias por semana, oito horas por dia, acaba se insensibilizando. Esta é a realidade do funcionário de um matadouro. Se estes são homens truculentos e rudes, é porque seu meio de vida os tornou assim.

Certamente se estas pessoas conservassem sua sensibilidade, não seriam qualificados para seu trabalho.

Mas seu trabalho somente existe porque alguém os paga para fazê-lo. Então o funcionário do matadouro não deve ser visto como o único culpado pela morte destes animais. O proprietário do abatedouro tampouco, porque ele apenas mantém seu estabelecimento, já que alguém compra seus produtos. Os açougues e supermercados a mesma coisa. Apenas quem pode impedir que estas mortes continuem ocorrendo é o consumidor.

O consumidor sim, aquele que se sente desconfortável em visitar um matadouro, que prefere não saber a verdade, se poupar de vislumbrar estas cenas, que prefere esquecer que os pedaços de carne em peças eram um animal com vida poucos dias antes. Este sim é o verdadeiro responsável.

Estamos prontos para nos indignar com a matança de bebês foca no Canadá, com a caça de raposas para fazer casaco de pele ou com o consumo de carne de cachorro na China. Estamos prontos para levantar bandeiras em defesa das baleias, da Amazônia ou doar algum dinheiro para o Greenpeace. E todas estas coisas de fato são importantes, mas estão muito distantes de nossa realidade. É fácil não ter um casaco de pele de raposa ou de foca, é fácil não ser culpado da morte destes animais e é mais fácil ainda condenarmos a pessoa que faz uso destes objetos.

Mas a morte de uma vaca, um suíno, um frango, ou seja lá qual for o animal, não deveria receber consideração diferente apenas porque sua utilização é tradicional segundo nosso ponto de vista. Qualquer pessoa que participe de seu ciclo de exploração é culpado pela morte de um animal, seja ele nativo, exótico, abundante ou esteja em vias de extinção.

O fato de percebermos a criação e morte de animais em matadouros como um fato banal apenas agrava esta situação. Estes animais não viveram existências condizentes com os hábitos de sua espécie e em determinado dia foram abatidos no campo. Eles levaram vidas indescritivelmente sofridas e tiveram um fim doloroso. E se isso não está errado, nada no mundo está.
Não me tornei vegetariano por haver presenciado as cenas que descrevi acima. Eu já o era há mais de 20 anos. Haver visitado alguns matadouros e abatedouros de aves apenas serviu para fortalecer minha sensação de que eu estava no

caminho certo. Saber que não faço parte disso, de certa forma, me confortava. Também me dava a certeza de que eu deveria dizer às pessoas o que vi, e da importância de se conscientizarem a respeito desses fatos.